Sombra das árvores…



Em cidades quentes, a sombra sempre foi uma companheira valiosa. Caminhar alguns metros a mais para encontrar uma árvore era algo natural.
 

As sombras ficaram mais raras, o calor parece mais intenso e as árvores já não dominam as ruas como antigamente.

As pessoas conheciam os lugares mais frescos da cidade e sabiam onde descansar por alguns minutos. A sombra não era apenas proteção contra o sol, mas também um convite para diminuir o passo e observar melhor o mundo.
 
A Cuiabá da minha infância era uma cidade arborizada, ajardinada, e generosa em sombras.
 
Mangueiras formavam verdadeiros túneis verdes, conduzindo-me de casa, no início da rua 13 de junho, até a Praça Ipiranga, com suas imponentes palmeiras imperiais, onde funcionava o meu Grupo Escolar em 1942.
 
Não me esqueço de quando voltava da escola para casa, na época das mangas, ia saboreando uma fruta colhida pelo caminho.
 
Assim eram as ruas de Cuiabá: acolhedoras, frescas e protegidas pelas copas das árvores. Quanto mais nos afastávamos do centro da cidade, mais encontrávamos árvores frondosas, oferecendo sombra abundante e frutos generosos.
 
O bairro do Porto era, para mim, o mais bonito e arborizado da cidade. De uma quadra a outra, as árvores se sucediam diante do antigo Arsenal de Guerra, onde hoje funciona o Sesc Arsenal.
 
Aquele prédio histórico foi originalmente encomendado por Dom João VI em 1818, e construído entre 1818 e 1832 para servir como Real Trem de Guerra, destinado à fabricação e ao conserto de armamentos.
 
Mais tarde, entre 1842 e 1872,…



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