Cuiabá – O assassinato de Olga Beatriz Santos da Silva, de apenas 12 anos, asfixiada até a morte pelo próprio pai em Mato Grosso, foi analisado pela renomada psiquiatra, palestrante e escritora brasileira, Ana Beatriz Barbosa. O crime foi motivado pelo fato de a pré-adolescente estar conversando com um garoto pelo celular.

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Para ajudar a compreender a mente por trás de tamanha crueldade, Ana Beatriz traçou o perfil psicológico do agressor e analisou a estrutura que permite que tragédias como essa aconteçam. Segundo a especialista, o comportamento do criminoso reflete uma distorção grave de afeto.

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“Ciúme não é cuidado, não é zelo, não é proteção. É simplesmente posse. Mas este crime brutal nos obriga a encarar uma realidade: o que tirou a vida de Olga foi uma estrutura baseada no sentimento de posse, que habita muitas casas que parecem normais por fora”, alertou a psiquiatra.
O perigo dentro de casa: A realidade do feminicídio infantil
O caso já foi enquadrado pela Justiça como feminicídio, uma vez que o crime foi cometido no âmbito doméstico e baseado no controle e na opressão sobre o corpo e as escolhas da jovem. A tragédia de Olga Beatriz, infelizmente, não é um fato isolado, mas o ápice de uma estatística alarmante que assombra a infância no Brasil.
De acordo com dados oficiais de saúde e segurança, quase 200 crianças e adolescentes são agredidos por dia no país. Os números revelam um cenário cruel: cerca de dois terços das agressões contra menores de 14 anos acontecem dentro da própria casa, praticadas, na maioria das vezes, por quem tinha o dever legal e moral de proteger a vítima, como o próprio pai ou o padrasto.
Como identificar os sinais de socorro
Ana Beatriz Barbosa reforça que a sociedade precisa deixar de tratar a violência doméstica como um assunto privado e aprender a identificar os sinais de que uma criança está sofrendo abusos ou ameaças antes que seja tarde demais.
Sinais físicos
Marcas no corpo e hematomas que a criança tenta esconder, como o uso de blusas de mangas compridas mesmo em dias de calor intenso.
Sinais comportamentais
Mudanças bruscas de humor, isolamento, queda no rendimento escolar ou um pavor desproporcional e nítido na presença de um adulto específico.
“Esses comportamentos não são piada, são um pedido de ajuda silencioso. Não ignore a suspeita, denuncie. Salve os contatos de emergência no seu celular agora mesmo”, finalizou a médica.
Canais de denúncia
Se você suspeita ou testemunha qualquer tipo de violência, abuso ou negligência contra crianças e adolescentes, denuncie imediatamente. A denúncia é anônima:
Disque 100: Direitos Humanos (gratuito e funciona 24 horas por dia).
Disque 190: Polícia Militar (para situações de emergência e flagrante).
Conselho Tutelar: Procure a unidade mais próxima do seu município.
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