
Douglas Lima
Editor
Nesta sexta-feira, 14, data que antecede o feriado estadual em homenagem a Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzinho, o professor, historiador e jornalista Célio Alício participou do programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9) para relembrar a importância histórica do líder da resistência amapaense contra a invasão francesa de 1895.
Reconhecido como herói nacional e integrante do Panteão da Pátria, Cabralzinho teve atuação decisiva durante o conflito franco-brasileiro, episódio que marcou a disputa territorial entre Brasil e França pela região do atual Amapá.
Durante a entrevista, Célio destacou que a figura de Cabralzinho ainda é cercada por controvérsias e interpretações equivocadas, muitas delas descontextualizadas historicamente: “Ele tem todos os méritos para ser chamado de herói nacional. Muita gente perde tempo discutindo se ele era herói ou vilão e esquece a conjuntura política da época”, afirmou o historiador.
Segundo o pesquisador, Cabralzinho não era militar de carreira. Comerciante, jornalista e líder político paraense, ele chegou à região do Contestado Franco-Brasileiro por volta de 1894 para liderar grupos locais de resistência contra as investidas francesas.
Célio explicou que o confronto ocorrido em 15 de maio de 1895 ganhou repercussão internacional após a morte do capitão francês Lunier, atingido durante o embate liderado por Cabralzinho. O episódio pressionou os governos do Brasil e da França a retomarem solução diplomática para o conflito.
“A resistência da população amapaense e a repercussão da matança mobilizaram a diplomacia internacional. Depois disso, a questão foi resolvida pela via diplomática, com a defesa do Barão do Rio Branco”, ressaltou.
Célio Alício também destacou que, sem a resistência organizada na então vila de Amapá, o desfecho territorial poderia ter sido diferente. “Se os franceses conseguem tomar a vila naquele momento, certamente o desfecho poderia ter sido outro”, pontuou.
Outro aspecto abordado foi a relação de Cabralzinho com a capoeira. Célio Alício afirmou que pesquisas recentes e documentos históricos comprovam que o líder amapaense era um exímio capoeirista, contrariando narrativas antigas que minimizavam sua atuação física nos confrontos.
O historiador defendeu maior responsabilidade na análise de personagens históricos do Amapá e criticou interpretações superficiais sobre figuras como Cabralzinho. “O historiador não pode assumir lado. Precisa pesquisar, buscar informações e apresentar os fatos da forma mais responsável possível”, concluiu.
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