A empresa Ricco Transportes divulgou nesta terça-feira, 21, nas redes sociais, um conjunto de informações sobre a situação financeira da operação do transporte coletivo em Rio Branco. No material, a empresa afirma que o sistema se tornou financeiramente insustentável e apresenta dados que indicam um “rombo” de mais de R$ 1,5 milhão em cerca de 20 dias de operação.
A publicação ocorre em meio à suspensão da licitação do transporte público da capital, após questionamentos apresentados por empresas e análise técnica solicitada pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans).
Segundo os dados divulgados, entre 1º e 20 de abril de 2026, a empresa registrou:
- Total recebido: R$ 2.848.062,15
- Total pago: R$ 2.912.826,01
- Saldo negativo: R$ 64.763,86
Mesmo com o pagamento de despesas consideradas essenciais para manter a frota em funcionamento, a empresa afirma que encerrou o período “no vermelho”. Além disso, a empresa indica R$ 1.529.567,43 em despesas em aberto, incluindo salários, vale-alimentação e rescisões. O material aponta um “rombo acumulado de R$ 1.594.331,29”.
Um dos principais pontos apresentados pela empresa é a diferença entre o valor recebido por passageiro e o custo real da operação. A empresa também destaca o aumento no custo do combustível, que teria subido de R$ 5,62 para R$ 7,61 em 30 dias, gerando aumento diário nas despesas.
Segundo a empresa, 48% dos usuários não pagam a tarifa cheia, o que, segundo o material, impacta na arrecadação.
Ainda no conteúdo divulgado, a empresa afirma que comunicou à Prefeitura, em 3 de fevereiro de 2026, que não tinha interesse em renovar o contrato emergencial do lote I do sistema. Ainda assim, diz ter mantido a operação após o fim da vigência, em 10 de fevereiro, para “evitar a interrupção do serviço”.
Sindicato denuncia irregularidades e cobra intervenção
Um documento encaminhado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes de Passageiros e Cargas do Acre (SINTTPAC) à RBTrans, a que o portal A GAZETA teve acesso nesta terça-feira, 21, apresenta um conjunto de denúncias contra a empresa Ricco Transportes, apontando irregularidades trabalhistas e financeiras consideradas graves.
No ofício, datado de 20 de abril de 2026, o sindicato afirma que a empresa enfrenta um cenário de “insolvência e descumprimento de cláusulas contratuais”, com impactos diretos sobre os trabalhadores e a continuidade do serviço público.
Entre os principais pontos citados estão:
- Atraso no pagamento de salários, incluindo vencimentos do mês de março com mais de 15 dias de atraso
- Falta de repasse de vale-alimentação há dois meses
- Ausência de depósitos do FGTS
- Não pagamento de férias e suspensão de benefícios como cesta básica
O documento também relata que a categoria está com uma paralisação motivada pela ausência de pagamento de verbas.
Outro ponto destacado pelo sindicato é a denúncia de que valores descontados em folha referentes a empréstimos consignados não estariam sendo repassados às instituições financeiras, o que, segundo o texto, teria levado trabalhadores à negativação de seus nomes.
O sindicato solicita à RBTrans a adoção de medidas urgentes, como:
- Retenção de repasses públicos à empresa, com pagamento direto aos trabalhadores
- Abertura de processo para possível caducidade da concessão
- Avaliação de intervenção ou encampação do serviço
Ainda segundo o documento, a situação já é objeto de uma ação civil pública na Justiça do Trabalho e pode resultar na intensificação de paralisações caso não haja solução.
Licitação suspensa
A divulgação do relatório da Ricco ocorre após a RBTrans solicitar a suspensão cautelar da licitação do transporte público, prevista inicialmente para abril. O pedido foi motivado por impugnações apresentadas por empresas, incluindo a própria Ricco, além de apontamentos técnicos internos.
Segundo o órgão, a medida visa evitar problemas jurídicos no processo, garantindo análise completa das contestações. A Prefeitura de Rio Branco informou que a licitação será retomada após ajustes técnicos no edital.