Comoção marca despedida de Dona Zeli em Rio Branco

Rio Branco se despediu, nesta terça-feira (21), de uma das figuras mais respeitadas da saúde pública da capital. Dona Zeli de Mesquita Lemos morreu aos 85 anos, por volta das 4h da manhã, deixando uma trajetória marcada por décadas de trabalho, cuidado com o próximo e compromisso com a população acreana.

O sepultamento ocorreu às 17h, no cemitério Morada da Paz, após um velório que reuniu familiares, amigos e colegas de profissão. Ao longo do dia, diversas pessoas passaram pelo local para prestar as últimas homenagens à ex-servidora, reconhecida pelo atendimento humanizado e pela dedicação ao serviço público.

Dona Zeli teve uma história construída desde muito jovem. Ela começou a trabalhar aos 16 anos de idade, ainda menor, quando acompanhava o pai até o local de trabalho. Foi nesse ambiente que passou a desenvolver interesse pela área da saúde, iniciando uma trajetória que se consolidaria ao longo das décadas.

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Com o tempo, passou a atuar no antigo Hospital de Base — atualmente Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) — onde permaneceu por mais de 20 anos. Durante esse período, construiu uma carreira sólida, sendo reconhecida pela competência técnica e pela forma acolhedora com que tratava pacientes e colegas.

Além da atuação no hospital, Dona Zeli também teve papel fundamental na Maternidade Bárbara Heliodora, onde atuou como parteira. Ao longo dos anos, ajudou a trazer ao mundo inúmeros acreanos, sendo lembrada por famílias que tiveram suas vidas marcadas por sua presença em momentos tão importantes.

Com o passar do tempo, questões de saúde levaram Dona Zeli a se afastar das atividades mais intensas. Após enfrentar problemas cardíacos e passar por cirurgia, recebeu orientação médica para reduzir o ritmo de trabalho. Na época, o médico responsável, doutor Ilson Ribeiro, recomendou que ela fosse direcionada para uma função mais leve.

Comoção marca despedida de Dona Zeli em Rio BrancoComoção marca despedida de Dona Zeli em Rio Branco

Foi então transferida para a unidade de saúde Eduardo Asmar, localizada na região do Segundo Distrito de Rio Branco, onde continuou contribuindo com a população até a aposentadoria. Ela deixou o serviço público por volta dos 60 anos, após uma longa trajetória dedicada à área da saúde.

Paralelamente à atuação profissional, Dona Zeli também teve forte presença na comunidade. A família mantinha a Drogaria Lemos, uma das primeiras do Segundo Distrito, que funcionava na própria residência. No local, ela atendia moradores em diferentes horários, muitas vezes durante a noite, oferecendo orientação e ajuda a quem precisava.

Relatos de familiares destacam que era comum pessoas procurarem a casa em busca de apoio, mesmo em horários avançados. Dona Zeli não media esforços para ajudar, reforçando o vínculo de confiança construído ao longo dos anos com a comunidade.

Integrante da tradicional família Mesquita, considerada uma das pioneiras de Rio Branco, Dona Zeli deixa um legado que ultrapassa a atuação profissional. Ela era avó do engenheiro João Pedro Lemos, servidor da Prefeitura de Rio Branco.

A despedida foi marcada por forte comoção. Durante o velório, amigos e conhecidos relembraram histórias que evidenciam sua dedicação, força e generosidade. Para a família, a perda representa a partida de uma mulher que enfrentou desafios com coragem e deixou contribuições importantes para a sociedade acreana.

“Ela foi uma guerreira, muito forte, ajudou muita gente e nunca deixou de atender quem precisava”, destacou um familiar.

A morte de Dona Zeli encerra um ciclo importante na história da saúde pública local. Ao mesmo tempo, deixa uma memória que permanece viva entre aqueles que conviveram com ela e foram impactados por sua trajetória.

O legado de cuidado, humanidade e compromisso com o próximo segue como referência para profissionais da área e para toda a comunidade acreana.

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