A Secretaria de Educação e Desporto de Roraima realizou, nesta quinta-feira (11), a abertura oficial da primeira etapa de formação do Magistério Indígena Tamî’Kan – Turma 2026. A cerimônia ocorreu no auditório do Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima (Ceforr), em Boa Vista, reunindo cursistas, formadores, lideranças indígenas e representantes da educação escolar indígena.
O curso, promovido pelo Governo do Estado e executado pelo Ceforr, é uma formação inicial intercultural, bilíngue e diferenciada voltada à qualificação de professores indígenas. O nome “Tamî’Kan”, que significa “sete estrelas” na língua Macuxi, simboliza a diversidade e a união dos povos atendidos pela iniciativa.
Nesta edição, o programa conta com 163 alunos matriculados, entre professores da rede estadual e novos estudantes que se preparam para atuar nas escolas indígenas. A proposta é atender às especificidades culturais, linguísticas e sociais de diferentes etnias, respeitando as identidades de cada povo.
Durante o evento, participantes destacaram a importância da formação para o fortalecimento das comunidades. Para a cursista Idelvânia Macuxi, o magistério representa uma oportunidade de continuidade nos estudos e de qualificação profissional. “Quero me capacitar para trabalhar na educação e contribuir com a minha comunidade, onde quer que eu esteja”, afirmou.


A formação é organizada de forma a contemplar diferentes realidades. Segundo a diretora do Ceforr, Stela Damas, existem modalidades específicas voltadas a determinados grupos indígenas, com foco em línguas próprias, territórios e contextos socioculturais distintos. “Essa abordagem busca garantir uma educação mais eficaz e alinhada às necessidades locais”, disse.
Stela explicou que o magistério indígena atende diferentes públicos, incluindo professores que ainda não concluíram o ensino médio e aqueles que já possuem essa etapa finalizada. “A carga horária varia conforme o perfil dos alunos, podendo chegar a aproximadamente 3.500 horas ou ser reduzida para cerca de 1.500 horas em cursos mais direcionados à formação profissional”.


Além da qualificação docente, o curso também contribui para a valorização das culturas indígenas. “A formação permite fortalecer a identidade, a língua e os conhecimentos tradicionais dentro das comunidades”, destacou a titular da Secretaria Estadual de Educação e Desportos, Ana Célia Paz.


Os participantes permanecem em regime de formação durante os módulos, contando com estrutura de alojamento organizada pelo Ceforr, incluindo espaços coletivos adaptados para atender professores e suas famílias.
Para os educadores envolvidos, a iniciativa representa um avanço significativo na educação escolar indígena em Roraima. “Os professores saem mais preparados e levam esse conhecimento para a sala de aula, melhorando o aprendizado dos alunos e fortalecendo o ensino nas comunidades”, ressaltou Adrielson Macuxi, educador eparticipante do magistério.


O Magistério Indígena Tamî’Kan segue como uma das principais políticas públicas voltadas à formação de professores indígenas no Estado, promovendo inclusão, valorização cultural e acesso à educação de qualidade nas diferentes regiões de Roraima.



