Rua Argentina ganha cores do Brasil e une moradores na expectativa pelo hexa em Boa Vista


Batizada com o nome de uma das maiores rivais do Brasil nos gramados, a Rua Argentina, no bairro Cauamé, ganhou cores que não deixam dúvidas sobre a torcida dos moradores. Faltando apenas nove dias para o início da Copa do Mundo de 2026, pinturas, bandeirinhas e desenhos de jogadores transformam a via em um cenário de apoio à Seleção Brasileira e de resgate às tradições que marcaram gerações de torcedores durante os mundiais.

Para a teleatendente Luana Clara Galvão, de 26 anos, mais do que uma decoração temática, a iniciativa se transformou em um movimento coletivo capaz de aproximar famílias e fortalecer os laços entre os vizinhos.

Em entrevista à FolhaBV, ela conta que tudo começou há cerca de três semanas, quando o irmão, Lucas Eduardo, sugeriu a ideia à família. O que seria apenas uma pequena pintura em frente à residência ganhou proporções inesperadas quando a vizinhança resolveu abraçar a proposta de forma espontânea.

“A gente abraçou essa ideia e ela realmente uniu todos os nossos vizinhos. Não imaginávamos essa união que tivemos aqui. Foi muito gratificante porque conseguimos trazer de volta as raízes da Copa. A princípio eram poucos desenhos. Só que foram surgindo tantas contribuições e tanta colaboração que apareceram novas ideias o tempo todo. Meu pai começou fazendo os desenhos e nós fomos ajudando na pintura para que tudo saísse do papel”, explicou.

Moradores da Rua Argentina, no bairro Cauamé, zona oeste de Boa Vista. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

A mobilização começou em frente à casa da família Galvão e, aos poucos, foi se espalhando pela rua, reunindo idosos, crianças e até animais de estimação em uma ação que mobilizou toda a comunidade. Os moradores passaram a dividir tarefas e colaborar com os custos dos materiais utilizados na decoração.

“Um vizinho veio perguntar o que estávamos fazendo, gostou da ideia e resolveu participar. Depois outros moradores foram chegando, ajudando e contribuindo de forma voluntária. Foi algo muito colaborativo. Todo mundo colaborou de alguma forma. Tinha hora para começar, mas não tinha hora para acabar. Muitas vezes ficávamos trabalhando até depois da meia-noite”, contou.

Mesmo com os desafios provocados pelas chuvas, que exigem constantes retoques na pintura, a rua já chama a atenção de quem passa pelo local. A expectativa agora se volta para a estreia da Seleção Brasileira, e a confiança no hexacampeonato acompanha o entusiasmo demonstrado pelos moradores durante a preparação da rua.

“Espero que a Seleção esteja tão empenhada quanto nós estivemos aqui durante todo esse processo. Nós entregamos muito e esperamos ver esse mesmo esforço em campo”, disse Luana.

Responsável pelos desenhos da rua, o pedreiro Samuel Gomes Galvão, de 43 anos, afirma que o trabalho também se tornou uma forma de incentivar a nova geração a manter viva a paixão pelo futebol. “Eu sou pedreiro, não sou pintor, mas fui aprendendo durante o processo. Gostei muito de ver o resultado. Todos os brasileiros gostam de futebol, assim como eu, e eu espero que o Brasil ganhe. Mas acho que nós já ganhamos aqui. Só de ver a união da família, dos vizinhos e das crianças ajudando, isso já é uma vitória”, destacou.

Samuel Gomes Galvão, de 43 anos. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)



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