O Rio Acre registrou uma queda de 7,67 metros em apenas 30 dias e já acende o sinal de alerta para o avanço da estiagem em Rio Branco. Nesta sexta-feira, 29, o nível do manancial foi medido em apenas 3,61 metros, enquanto no dia 29 de abril marcava 11,28 metros.
A rápida redução do volume de água chama a atenção por ocorrer pouco tempo após o período de cheia que atingiu a capital acreana. O nível atual deixa o rio em uma condição de vulnerabilidade, principalmente diante da perspectiva de um período seco mais intenso nos próximos meses.
Segundo o coordenador municipal da Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, a diminuição acelerada do nível do rio está relacionada aos efeitos do fenômeno El Niño, que altera os padrões climáticos e reduz a ocorrência de chuvas na região.
“Nós estamos com níveis muito baixos nos mananciais. Temos o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, isso vai trazer muita umidade para a Amazônia, porém essa umidade será transportada para o Sul e o Sudeste, e aqui nós vamos ficar com a situação bastante seca”, explicou.
A situação preocupa porque a tendência é de continuidade da redução do volume de água, especialmente diante da baixa incidência de chuvas. Nas últimas 24 horas, o acumulado registrado foi de apenas 1,8 milímetro.
Com menos precipitações e temperaturas elevadas, aumenta a evaporação da água armazenada nos rios e reservatórios, acelerando ainda mais o processo de redução dos níveis dos mananciais.
Defesa Civil alerta para impacto em poços e reservatórios
A preocupação da Defesa Civil não se limita ao Rio Acre. Segundo Cláudio Falcão, a estiagem também pode afetar diretamente represas, açudes, poços artesianos e outros reservatórios que abastecem comunidades urbanas e rurais.
“Vai haver uma evaporação muito maior em relação aos mananciais, represas e poços, fazendo com que diminuam bastante”, alertou.
O cenário é acompanhado de perto pelos órgãos de monitoramento, principalmente porque os efeitos da seca costumam se intensificar nos próximos meses. A expectativa é que a combinação entre altas temperaturas e escassez de chuvas continue pressionando os níveis dos rios em todo o estado.
Embora o Rio Acre ainda esteja acima da cota histórica de seca severa, a queda de mais de sete metros em apenas um mês demonstra a velocidade da redução do volume de água e reforça a preocupação com o período de estiagem de 2026.