Sesacre diz que dados sobre notificação de óbitos não são homogêneos


Após a divulgação de dados na quarta-feira, 20, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre subnotificação de óbitos no país, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) apresentou nesta quinta-feira, 21, esclarecimentos técnicos sobre a situação do estado e afirmou que os números precisam ser analisados com recorte mais detalhado para evitar interpretações generalizadas.

Segundo a área técnica da Sesacre, os percentuais citados no levantamento do IBGE se referem a estimativas estatísticas baseadas em estudos de sub-registro e não refletem de forma homogênea a realidade de todos os municípios acreanos.

De acordo com a Secretaria, o principal ponto de atenção no estado está concentrado no município de Jordão, que apresenta índice estimado de 46,7% de subnotificação de óbitos, um dado considerado elevado, mas que estaria diretamente relacionado às características geográficas e demográficas da região.

O município, localizado em área de difícil acesso no interior do Acre, possui população majoritariamente ribeirinha e indígena, o que, segundo a Sesacre, impacta diretamente a dinâmica de registro de óbitos e o fluxo de alimentação do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), base nacional utilizada para monitoramento estatístico.

A Secretaria explica que, em localidades com essas características, parte dos registros pode ser realizada diretamente em cartórios ou em condições logísticas mais complexas, o que acaba gerando atraso na consolidação das informações nos sistemas oficiais.

Ainda conforme a área técnica, os dados encaminhados mostram que o município de Jordão aparece entre os maiores índices específicos de subnotificação dentro do estado, porém o Acre não figura entre os estados com maiores taxas municipais do país quando analisado o conjunto geral dos indicadores, o que, segundo a pasta, reforça a necessidade de contextualização dos números.

A Sesacre destaca também que o estado mantém monitoramento contínuo do SIM, com ações permanentes de qualificação dos registros, fortalecimento da vigilância em saúde, busca ativa de informações e aprimoramento do fluxo de notificação de óbitos, especialmente em municípios de difícil acesso.

Por fim, a Secretaria informou que a equipe técnica responsável pelo sistema no Acre está à disposição para prestar esclarecimentos adicionais e detalhar os critérios metodológicos utilizados na análise dos dados, ressaltando a importância de interpretações técnicas mais precisas para evitar leituras distorcidas dos indicadores estaduais.



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