

Estamos caminhando para o fim de mês, que é dedicado à campanha nacional Maio Amarelo, a qual visa conscientizar a população em busca da redução de mortes e feridos no trânsito, mas até o momento não se tem uma estatística consolidada sobre acidentes e mortes no trânsito roraimense, a fim de mostrar um parâmetro e chamar a atenção da sociedade. As notícias relatam acidentes quase que diários na Capital e interior, alguns deles parecendo cenas de filmes de fim de mundo.
As campanhas de educação e conscientização praticamente nem existe mais, apesar da campanha nacional em vigor, na mesma medida em que a guerrilha gratuita no trânsito roraimense continua. A realidade ignorada pode ser conferida nas redes sociais e matérias policiais da imprensa diária. Inclusive, já ocorreu a morte de um servidor do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) vítima de uma colisão da moto que ele conduzia com um carro.
O único fato concreto é que os números são alarmantes, com uma média de 140 mortos no trânsito roraimense a cada ano. Se esse número fosse resultado de um avião caindo a cada ano, no Estado, certamente seria considerada uma realidade perturbadora. Mas trata-se de vidas ceifadas em acidentes com motos, carros e bicicletas, cenário já normalizado e que não alarma mais.
No ano de 2022, foram 132 mortes em acidentes de trânsito no Estado. Em 2023, esse número aumentou para 139 óbitos registrados. No ano de 2024, o total chegou a 120 mortes. Em 2025, um novo aumento de mortes, chegando a 148 vidas ceifadas no trânsito. Não há dados oficiais sobre 2026. Detalhe: esses números são bem maiores, pois as estatísticas oficiais são relativas somente a janeiro e outubro de cada ano, deixando de fora dois meses.
Se houver um cruzamento do número oficial de mortes no trânsito divulgados com os dados do Instituto de Medicina Legal (IML), há uma certeza absoluta de que os dados da tragédia no trânsito seriam muito maiores, o que também continuaria não chamando a atenção da sociedade, que se habituou a não ter dados concretos dessa guerrilha gratuita nas ruas e avenidas da Capital, além das estradas estaduais e rodovias federais.
A constatação é de que não existe política de governo definida para enfrentar os grandes problemas que afligem a população roraimense. Não é só no trânsito. O cenário se repete em quase todos os setores, a exemplo do combate à criminalidade, na questão das queimadas, infância e juventude, gravidez na adolescência etc. São duas políticas que funcionam em Roraima: a de distribuição de cesta básica, especialmente em anos eleitorais – e por motivos óbvios; e a do pagamento em dia do funcionalismo público.
*Colunista