
Usuários do sistema público de saúde relataram, nesta quarta-feira (21), demora excessiva e desorganização no atendimento do Pronto Atendimento Cosme e Silva, localizado no bairro Pintolândia, zona Oeste da capital.
De acordo com a estagiária Aniele Ferreira, que procurou a unidade por volta das 12h com sintomas como cansaço no peito, tosse e febre, a espera por atendimento já ultrapassava quatro horas sem qualquer previsão. “Cheguei ao meio-dia e já vai dar 16h e nada de me atenderem. Disseram que ainda tem mais de 30 pessoas na minha frente, e se chegar paciente prioritário, passa na frente outra vez. Tem gente que tá esperando desde 8h com febre e não foi atendido”, relatou.
Segundo a paciente, a situação no local é de superlotação e revolta entre os usuários. Ela afirma que apenas casos classificados como prioridade estão sendo atendidos, enquanto os demais permanecem aguardando por tempo indeterminado. “Está um caos. Todo mundo está aqui esperando e ninguém sabe quando vai ser atendido”, disse.
A denunciante também criticou a qualidade do serviço oferecido pelo sistema público de saúde no estado. “É uma humilhação para quem precisa do atendimento. O roraimense não tem praticamente nem o básico da saúde que deveria ter”, desabafou.
COSME E SILVA
O Pronto Atendimento Cosme e Silva é uma das principais portas de entrada para urgência e emergência em Boa Vista, sob responsabilidade do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A unidade funciona 24 horas por dia e recebe, em média, entre 700 e 800 pacientes diariamente, incluindo moradores locais, indígenas e migrantes.
Entre os serviços ofertados estão exames de imagem, atendimentos ortopédicos, suturas, aplicação de gesso e diagnóstico de doenças como malária. A alta demanda, no entanto, tem sido apontada por usuários como um dos fatores que contribuem para a demora no atendimento.
SESAU
Em nota enviada a Folha a Secretaria de Saúde esclareceu que, o sistema SmartLeito, utilizado pelo Pronto Atendimento Cosme e Silva, aponta que o tempo médio de espera para atendimento médico nesta quinta-feira foi de, no máximo, uma hora por paciente.
Não havendo, portanto, registro de espera de seis, oito ou dez horas, conforme alegado.
Até as 16h, foram registrados 453 atendimentos na unidade. Desse total, 267 casos receberam classificação de risco verde, o que representa 51% das ocorrências consideradas, inclusive, como atendimento na atenção primária (postos de saúde), conforme as diretrizes do Sistema Único de Saúde.
A Sesau também informa que, o maior fluxo de atendimentos ocorreu entre 8h e 15h, com picos registrados por volta das 9h, 13h e 14h. Mas nenhum paciente ficou desassistido.
A Sesau reforça o compromisso em garantir atendimento de qualidade à população nas unidades estaduais de saúde, dando a devida assistência a cada paciente conforme a gravidade do caso.