Estudante de enfermagem e PM salvam moradora de rua e bebê em parto na calçada – SelesNafes.com


Por RODRIGO ÍNDIO, de Santana (AP)

Uma corrente de solidariedade e preparo técnico salvou a vida de uma mãe em situação de rua e de seu bebê na madrugada desta quinta-feira (21), na Rua Salvador Diniz, em Santana, a 17 km de Macapá. Diante do cenário, o parto pélvico de alto risco foi realizado na calçada pela estudante de enfermagem Bianca Ferreira dos Santos, de 22 anos. Logo em seguida, uma equipe da Polícia Militar chegou ao local e a soldado Juliana Duarte realizou as manobras de reanimação que trouxeram o recém-nascido de volta à vida.

O caso aconteceu por volta de 1h da manhã, em frente ao prédio do antigo “Sorriso”. Bianca, que está no 9º semestre de enfermagem e trabalha como agente de saúde no Hospital Estadual de Santana, foi informada sobre a situação e correu algumas quadras até o local. Ela encontrou a gestante amparada apenas por dois rapazes, em um cenário crítico: o bebê estava nascendo de pé e com a cabeça presa, sofrendo sufocamento.

“A situação era muito crítica. Mãe e bebê poderiam morrer. Foi tudo muito rápido e desesperador. Naquele momento, eu só pensava em ajudar e fazer o possível para salvar os dois”, relembra Bianca.

Mesmo sem equipamentos apropriados, a estudante ajoelhou-se na calçada, assumiu o procedimento e conseguiu realizar as manobras necessárias para liberar o corpo da criança. O bebê, no entanto, nasceu cianótico (roxinho), hipotônico e sem respirar. Nesse momento crucial, uma equipe da Polícia Militar que patrulhava a área estacionou a viatura na calçada. Ao notar o estado do recém-nascido, a soldado iniciou os protocolos de massagem cardíaca e reanimação neonatal ali mesmo, na via pública.

Momento em que a PM chega e reanima o bebê após o parto…

A ação da militar foi movida pelo instinto, superando inclusive os riscos biológicos daquele momento. A soldado relatou que, na pressa para salvar o recém-nascido, agiu sem os equipamentos de proteção individual (EPIs), mesmo tendo um ferimento na própria mão.

“Naquele momento eu agi sem pensar nos riscos que iria correr. Foi uma atitude tão rápida e instintiva, de mãe e de profissional, que acabei não pegando os equipamentos básicos de EPI. Saí correndo de dentro da viatura. Inclusive precisei passar por testes depois, porque eu estava com um corte na mão e, mesmo assim, tive contato direto com o bebê e com o sangue da mãe. Diante de toda aquela situação de vulnerabilidade, sabendo que ela era moradora de rua, eu não hesitei. A única preocupação realmente era salvar a vida daquela criança”, destacou a Soldado Juliana.

O choro

Após os estímulos técnicos da policial, o bebê finalmente reagiu e começou a chorar. Equipes do Corpo de Bombeiros e do socorro médico chegaram logo em seguida para dar suporte e encaminharam mãe e filho ao Hospital Estadual de Santana, onde ambos recebem atendimento e passam bem.

Mais do que um atendimento de emergência, o episódio na madrugada de Santana foi uma demonstração de que a empatia não escolhe hora e nem lugar. Longe de qualquer disputa de protagonismo, a verdade dos fatos mostra que o destino cruzou a técnica obstétrica de uma futura enfermeira com o preparo e a rapidez de uma policial militar.





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