Manaus – O novo prefeito de Manaus mal esquentou a cadeira e já deixou claro o rumo da gestão: continuar o mesmo modelo de David Almeida na forma de lidar com o dinheiro público. No último dia 27, Renato Júnior assinou o aditivo de dois contratos que, juntos, ultrapassam R$ 5,9 milhões — dinheiro destinado a som de alta potência e shows de pirotecnia.

(Foto: João Viana – Semcom)
Levantamento exclusivo do núcleo de jornalismo investigativo do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC), com base em dados do Diário Oficial do Município, mostra que, em apenas quatro meses, a Prefeitura de Manaus já torrou quase R$ 200 milhões com festas. Enquanto isso, a conta chega para quem está do outro lado: a população.
Entre os aditivos citados está o quinto Termo Aditivo firmado entre a Manauscult e a empresa Barra Som Sistemas de Áudio Ltda pelo valor de R$ 4,6 milhões pelo período de seis meses. O serviço contratado é locação de equipamentos de sonorização compreendendo a montagem, desmontagem e transporte.
Outro aditivo foi assinado com a empresa MF Produções Artísticas e Eventos Ltda. pelo valor de R$ 1,3 milhã referente a serviço de show pirotécnico incluindo o fornecimento de fogos de artifício, montagem, operação, desmontagem, transporte e guarda dos materiais, também pelo período de seis meses.
A gestão do prefeito Renato Junior também estendeu contratação de empresa para locação de Tendas incluindo montagem, desmontagem e transporte. Pelos serviços, a empresa Ecoart Soluções Ltda. deve receber R$ 1,3 milhão pelo aditivo de seis meses de contrato. A falta de transparência na Prefeitura de Manaus tem sido um problema recorrente deste a gestão do ex-prefeito David Almeida, antecessor de Renato Junior.
Na segunda-feira, 4, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) julgou parcialmente procedente a representação referente aos gastos da Prefeitura de Manaus com o evento “Sou Manaus Passo a Paço 2025”, acompanhando em parte o voto do conselheiro relator Érico Desterro, que determinou a abertura de tomada de contas, o reconhecimento de falhas na transparência e a adoção de medidas no Portal da Transparência, com recomendação de maior detalhamento dos gastos públicos e contratos do evento. O Ministério Público de Contas (MPC) cobra transparência e detalhes sobre como o custo do evento saltou 1.156%, ao passar de R$ 2 milhões para cerca de R$ 25,1 milhões.