Bancos restringem crédito e juros mais caros elevam inadimplência

O cenário econômico brasileiro apresenta sinais de redução no mercado de crédito neste primeiro bimestre de 2026. Segundo dados recentes do Banco Central (BC), o volume de concessão de crédito livre para pessoas físicas registrou uma queda de 8,1% entre janeiro e fevereiro, recuando de R$ 331,9 bilhões para R$ 304,9 bilhões.

A redução é ainda mais evidente quando comparada ao pico de dezembro de 2025, quando o montante chegou a R$ 363,2 bilhões. O movimento reflete uma postura de maior cautela por parte das instituições financeiras, que têm endurecido os critérios para a aprovação de novos recursos.

“Espera-se uma maior rigorosidade na concessão de crédito em 2026, com as instituições financeiras elevando os spreads e exigindo garantias mais elevadas, por causa da incerteza econômica e pelas preocupações com a inadimplência. É o sistema financeiro sinalizando que o risco está alto demais para continuar emprestando na mesma velocidade. É um mecanismo de ajuste, só de forma dolorosa“, informa Milene Dellatore, especialista em finanças e sócia-diretora da Mide Mesa Proprietária.

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O cenário econômico brasileiro apresenta sinais de redução no mercado de crédito neste primeiro bimestre de 2026. Foto: Poder 360.

Segundo os dados, desde outubro as dívidas comprometem cerca de 1/3 da renda familiar. Com a restrição nas instituições bancárias, as famílias buscam outras formas e linhas de crédito, que geralmente possuem altas taxas de juros. É nesse cenário que ocorre a inadimplência.

As pessoas não param de consumir do dia para a noite. Elas migram para o que está disponível, mesmo que seja muito mais caro. Sem ter para onde ir, elas recorrem ao cartão ou ao cheque especial. O crédito às famílias está crescendo mais rapidamente do que o das empresas, em grande parte pela dependência das linhas rotativas”, declara economista-chefe da 4intelligence, Bruno Imaizumi.

De acordo com a especialista Milene Dellatore, o cenário atual de endividamento elevado e queda na oferta de crédito deve provocar uma desaceleração no consumo e na atividade econômica. A especialista traçou um comparativo com a crise ocorrida entre 2015 e 2017, destacando que, naquele período, a queda no endividamento foi acompanhada por uma recessão severa e índices de desemprego que ultrapassaram os 13%.

Dellatore alertou, no entanto, que o patamar de endividamento atual é muito superior ao daquela época, o que sugere que uma eventual correção econômica poderá ser ainda mais rigorosa. i

Com informações de Poder 360

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