Um boletim de ocorrência registrado no 16 de julho deste ano e encaminhado ao Grupo Égia de Comunicação nesta segunda-feira, 22, relata que um ex-assessor do ex-governador de Roraima, Edilson Damião (União), foi alvo de ameaças, coação e precisou transferir bens após o desaparecimento de R$ 7,6 milhões atribuídos ao político.
Conforme o documento, o caso iniciou no dia 8 de março, quando a vítima constatou um arrombamento no imóvel onde o valor estava guardado. Na manhã do dia seguinte, ele avisou o então governador sobre o ocorrido, momento em que foi expulso e responsabilizado pela situação.
A partir de então, segundo o relato, o ex-assessor passou a ser alvo de intimidação, ameaça e coação. Já no dia 9 de março, ele teria sido abordado pelo segurança pessoal de Damião e pelo coronel Francisco Lisboa, à época secretário-chefe adjunto da Casa Militar.
Armado, o oficial teria dado um ultimato de 24 horas para que o dinheiro “aparecesse”. De acordo com a vítima, o militar ainda a teria ameaçado: “Dá teu jeito. Você apareceu com uma Hilux. Vende fazenda e dá seu jeito. O prazo é 24h”. Ele ainda teria afirmado: “Esses caras vieram de longe para te matar”.
Interrogado e pressionado
Horas depois, no mesmo dia, o ex-assessor teria se deslocado até o escritório do ex-governador e ficado confinado em uma sala, contra a sua vontade, por cerca de 40 minutos. Ainda segundo o relato, o homem foi interrogado por cerca de oito policiais e pressionado a assumir o desaparecimento da quantia.
A vítima afirmou ainda que sua esposa também foi coagida. Além disso, o veículo do casal teria sido retirado de uma revendedora sem autorização, a mando de Damião, e devolvido apenas após assinatura de contratos e procurações.
Dias depois, um empreiteiro, supostamente agindo a mando de Edilson Damião, teria telefonado para o ex-assessor dizendo que o casal iria “conhecer o verdadeiro governador de Roraima” caso não assinassem documentos de transferência dos bens.
Ainda conforme o boletim de ocorrência, no dia 13 de março, a esposa da vítima teria sido atraída para uma emboscada arquitetada pela irmã do então governador, Edina Damião, e liderada pela então secretária de Infraestrutura, Delchely Oliveira. A mulher teve o celular confiscado. Elas teriam mencionado a existência de um pen drive com informações financeiras e insinuado que outras pessoas poderiam atentar contra a vida da vítima.
Com medo, o casal afirma ter sido obrigado, no dia 16 de março, a ir até um cartório para assinar contratos e outorgar procurações envolvendo a transferência de três propriedades em favor de um homem apontado como “testa de ferro”.
Fonte: Da Redação