
Cleber Barbosa
Da Redação
Diário do Amapá – Com quase 30 anos de experiência na indústria do petróleo, atualmente como líder de planejamento de negócios na Infinium, joint venture da ExxonMobil e Shell. Também integra o board Women in Energy e atua como mentora de novas lideranças. Seja muito bem-vinda ao programa.
Margareth Carvalho – Obrigada, pessoal. É uma grande honra participar do programa e estou muito feliz por estar aqui.
Diário – Você tem dedicado parte da sua trajetória ao desenvolvimento de pessoas e lideranças. Como enxerga a construção da carreira no setor de energia atualmente e o que mais mudou desde o início da sua trajetória profissional?
Margareth – Quando comecei minha carreira, a construção profissional era muito linear. Existia uma sequência lógica: adquirir conhecimento, aprofundá-lo, acumular experiência ao longo do tempo e, gradativamente, alcançar desafios maiores. Isso continua sendo importante. Em uma indústria complexa como a nossa, o conhecimento permanece sendo a base de tudo. Mas hoje percebo que a indústria valoriza muito a capacidade de conectar diferentes competências. No passado, eu acreditava que, para crescer profissionalmente, precisava ter todas as respostas. Hoje vejo que o diferencial está em formular as perguntas certas e saber se conectar com as pessoas corretas. A indústria de óleo e gás é muito dinâmica e vive um momento de transformação. O profissional precisa conseguir se adaptar, fazer a leitura das situações e transformar conhecimento em decisão. Não basta olhar apenas a foto. É preciso enxergar o filme, interpretar o que está acontecendo e identificar onde atuar e quais pessoas podem ajudar em cada contexto. A velocidade das mudanças é muito maior hoje e exige profissionais cada vez mais adaptáveis.
Diário – Considerando esse cenário e sua atuação em planejamento de negócios, o que mais impulsiona o crescimento profissional na indústria de energia atualmente?
Margareth – Eu acredito que o principal fator é a capacidade de lidar com o desconforto e com a incerteza. O profissional precisa aprender a avançar mesmo em cenários de transformação. Na engenharia, costumamos falar das CNTPs, as condições normais de temperatura e pressão, mas a realidade da indústria está longe disso. Sempre há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Às vezes você está conduzindo um projeto e descobre que o orçamento foi reduzido pela metade. Em outras situações, a equipe é reduzida ou é necessário tomar decisões sem ter todas as informações disponíveis. O bom profissional aprende a lidar com esses desafios. É nesses momentos que ele é colocado à prova e aprende tanto com os acertos quanto com os erros. Muitas pessoas acreditam que precisam estar prontas para começar. Eu penso diferente. A gente vai ficando pronto ao longo do caminho. Mais importante do que estar pronto é estar disposto. É preciso seguir em frente, aprender, aperfeiçoar e ajustar a rota conforme os desafios surgem.
Diário – Você atua diretamente na formação de novas lideranças. O que tem aprendido sobre liderança em um ambiente tão técnico, hierárquico e historicamente masculino?
Margareth – Uma das primeiras lições é entender que liderança não é sobre comando nem controle. Liderar não significa dar ordens ou simplesmente dizer quem deve fazer o quê. Liderança tem muito mais relação com contexto e relacionamento. É preciso compreender a situação para conseguir liderar adequadamente. Também é fundamental desenvolver a capacidade de se relacionar com as pessoas. O líder não é aquele que apenas determina tarefas. O verdadeiro líder é aquele que consegue influenciar, desenvolver pessoas e criar condições para que outros profissionais cresçam e assumam responsabilidades. A liderança passa pela capacidade de entender cenários, construir relações de confiança e ajudar as equipes a encontrarem caminhos para superar desafios.
Diário – Muito obrigado pela participação e pelos importantes esclarecimentos sobre carreira, liderança e desenvolvimento profissional no setor de energia.
Margareth – Eu que agradeço, Márcia e Cleber. Foi um prazer participar do Conexão Margem Equatorial.
E assim encerramos mais uma edição do Conexão Margem Equatorial, trazendo reflexões importantes sobre os desafios da formação profissional, da liderança e das transformações que estão moldando o futuro da indústria de petróleo e gás.
Perfil
Margareth Carvalho Coutinho – Possui graduação em Engenharia Química pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1994) e mestrado em Química Orgânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999). Em 2016 concluiu sua tese de Doutorado pelo Programa de Engenharia Civil da COPPE-UFRJ.
PRINCIPAIS EXPERIÊNCIAS
– Atualmente é engenheira de processamento do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguêz de Mello (PETROBRAS).
– Engenheira com sólida trajetória acadêmica e profissional voltada para a Engenharia Civil e Infraestrutura Rodoviária.
– Possui vasta experiência no estudo e desenvolvimento de materiais asfálticos, reologia, processos de envelhecimento térmico/fotoquímico de ligantes e sustentabilidade aplicada à pavimentação.
– Atua diretamente na vanguarda da inovação tecnológica no CENPES/Petrobras.
DESTAQUES ACADÊMICOS
– Doutorado em Engenharia Civil – COPPE / Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
– Área de Concentração: Geotecnia / Pavimentação.
– Tese: Efeitos do envelhecimento térmico e fotoquímico em ligantes asfálticos, mástiques e matriz de agregados finos.
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