Manaus – A ação penal que investiga o escândalo da compra de respiradores durante o auge da pandemia da Covid-19 e que tem entre os réus o ex-governador do Amazonas, Wilson Lima, sofreu uma mudança na quarta-feira (17). Após passar mais de cinco anos praticamente travada, o processo (APn 993/DF) foi redistribuído por sorteio e passou para as mãos da ministra Nancy Andrighi, integrante da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

(Foto: Montagem GDC)
A mudança coloca um fim a uma longa e criticada paralisia. Autuado ainda em abril de 2020, o processo que coloca Wilson Lima no banco dos réus avançou a passos lentos por meia década. Agora, sob nova direção, a ação já foi imediatamente despachada ao Ministério Público Federal (MPF), sinalizando que o ritmo de calmaria acabou.
Se o compasso de espera anterior trazia um respiro Wilson Lima, a escolha de Nancy Andrighi deve acender um sinal vermelho ex-governador.
Conhecida como uma das magistradas mais experientes e implacáveis da Corte Especial do STJ, Andrighi tem um histórico recente que assusta o meio político. Ela foi a relatora do caso envolvendo o governador do Acre, Gladson Cameli. No processo, Nancy não apenas votou pelo recebimento da denúncia do MPF, como também já proferiu voto firme pela condenação do político.
Pelo tamanho das acusações, Wilson Lima pode enfrentar penas cumulativas, em caso de condenação. No inquérito, ele responde pelas por organização criminosa, fraude em licitação e peculato, referentes à compra dos respiradores. No ano passado, o STJ rejeitou um inquérito secundário sobre o transporte dos equipamentos, no entanto, o processo principal segue em tramitação e, em caso de condenação, ele pode ficar inelegível nas próximas eleições e cumprir pena.
Na denúncia consta que uma empresa de equipamentos hospitalares vendeu os aparelhos por R$ 2,4 milhões à FJAP Importadora — registrada como uma loja de vinhos. No mesmo dia, o Estado adquiriu os produtos da importadora por R$ 2,9 milhões, configurando um sobrepreço de R$ 500 mil.
O MPF acusa Wilson Lima de atuar diretamente na operação.
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