Jéssica é desmentida sobre ser vice de Alan e MDB pode voltar a ser um ‘Peugeot’ sob olhar de desconfiança


Em um dia marcado pelo jogo da Seleção Brasileira, o cenário político do Acre também reservou fortes emoções. O programa Boa Conversa, desta sexta-feira (19), analisou os principais fatos que movimentam os bastidores da disputa eleitoral de 2026, com foco nas articulações para a composição das chapas majoritárias, pesquisas eleitorais e conflitos internos dos principais grupos políticos do estado.

Foto : Iago Nascimento

Um dos temas centrais foi a reunião entre a ex-deputada federal Jéssica Sales e o senador Alan Rick. Enquanto Jéssica afirma estar definida como vice na chapa do senador, Alan sustenta que não houve qualquer compromisso formal nesse sentido. A possível aliança entre MDB e Republicanos, portanto, ainda enfrenta resistências e segue em compasso de espera.

“Eu quero confirmar que houve, de fato, a reunião com o Roberto, mas não houve compromisso da Jéssica como minha vice. Ela poderia somar, mas eu tenho nomes que estão como opção no Republicanos. Houve a conversa, mas não houve convite para ser vice. O problema é que ninguém pode atropelar o grupo do Vagner, que é o grupo do Juruá. Antes tinha o grupo do Flaviano, mas ele morreu. Eu falei com o Marcus Alexandre, e ele disse que vai com a Mailza. Uma parte quer ir com o Alan e outra com a Mailza. O Vagner disse que ligou para o Baleia Rossi, mas ninguém derruba. O Baleia disse que só queria a chapa de federal mantida. Então, qualquer conversa passa pelo Vagner Sales. O grupo do Vagner é favorável a uma aliança com o Alan e isso pode desaguar na convenção do partido. Se for para o Alan, eles continuam liberados para apoiar a Mailza”, afirmou Crica.

“Eu não acredito que o Alan tenha se comprometido com o MDB diante da situação que o partido vive hoje. O MDB ajudou a montar a chapa estadual, a conta já foi paga, não queremos cargos, e de repente começa um movimento contrário. Casa dividida não prospera. Para o MDB, a eleição da Jéssica para deputada federal representa a manutenção do grupo histórico do partido. Longo, Minoru e Ney Amorim não são MDB”, pontuou Astério Moreira.

Também foi discutida a percepção de que nomes como Aberson Carvalho, Jonathan Donadoni e Luiz Calixto perderam espaço dentro do Palácio Rio Branco. A avaliação política é de que antigos protagonistas passaram a exercer funções de menor influência nas decisões estratégicas do governo.

“O Aberson, o Donadoni e o Calixto tinham o respaldo total do ex-governador Gladson Cameli, mas agora não têm mais. Isso está provocando várias situações dentro do governo. A Leila Galvão já pensa em não ser candidata pela federação por compromissos não honrados. A candidatura do Fábio Rueda não tem um candidato ao Senado, enquanto a estrutura do governo, com seus secretários, é muito grande”, ponderou Crica.

O retorno de Sula Ximenes ao Deracre também foi tema do debate. A avaliação apresentada no programa é de que ela voltou ao órgão sem o mesmo espaço político e autonomia administrativa que possuía anteriormente.

“A Sula cometeu um erro ao voltar porque tinha chances de se eleger naquela chapa do PL”, avaliou Crica.

O ex-secretário Aberson Carvalho também voltou ao centro das discussões diante das dificuldades para consolidar apoios políticos.

“Eu soube que o Aberson não tem o mesmo poder que tinha com o Gladson. Uma pena. Botaram um bando de amadores e deixaram de lado aqueles que ajudaram o Gladson. Quem articulava era a Silvânia, o Aberson, o coronel Messias, e todo mundo foi escanteado porque, em tese, não tinha mais o mesmo poder”, afirmou Crica.

Ao comentar o núcleo político da vice-governadora Mailza Assis, Crica fez uma avaliação sobre os principais articuladores.

“Time da Mailza: Madson Cameli, Pedro Valério, pastor Reginaldo, Correirinha, Agnaldo Camurça e Achad. O camisa 10 desse time é o Madson Cameli. A Mailza é séria, mas precisa se cercar de profissionais, daqueles que conhecem o subterrâneo da política. O tempo está correndo e ela ainda está muito atrás do Alan. Se chegar em setembro nessa situação, vai ter muita gente pulando para o lado dele”, acrescentou.

Nos bastidores, cresce ainda a informação de que o empresário Ricardo Leite, conhecido como Rico, seria o nome preferido de Alan Rick para compor uma eventual chapa majoritária.

“A hora da Jéssica era no começo, mas, como colocado pelo Alan, existem nomes que já se colocaram na condição de vice, com viabilidade política e jurídica”, ponderou Astério Moreira.

O programa também analisou o anúncio feito pelo ministro dos Transportes ao lado de Jorge Viana sobre um plano de investimentos de R$ 3 bilhões para a recuperação das rodovias federais no Acre.

Outra movimentação relevante envolve a estratégia do Partido dos Trabalhadores de lançar uma liderança eclesiástica, o padre Antônio, de Xapuri, para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

“O pessoal diz que o padre almoça no ramal e falam que ele conhece praticamente todas as paróquias do Acre, só não duas. Ele é o candidato do Jorge, do Forneck e do Binho, e o candidato da cúpula é o padre. O Cesário disse que o padre pode ficar com os capas-pretas, que ele vai ficar com a turma que tem voto. O Petecão disse que estava impressionado com o Cesário porque, por onde ele anda, tem voto dele”, ponderou Crica.

Os números da pesquisa Real Time Big Data também estiveram em discussão. O levantamento aponta Alan Rick na liderança da disputa pelo governo, com Mailza Assis na segunda posição, seguida por Tião Bocalom e Thor Dantas. Na corrida pelo Senado, o ex-governador Gladson Cameli aparece na liderança, enquanto Márcio Bittar e Jorge Viana protagonizam uma disputa direta pela segunda vaga.

“A maior perda para a Mailza é o Gladson não ser candidato a nada. Se ele for candidato ao Senado, vai assumir o comando da campanha. Eu acho que, por enquanto, todas as pesquisas estão mostrando isso. A irmã do prefeito Alysson está filiada ao PSD e pode ser suplente do Petecão”, concluiu Crica.



VER NA FONTE