
Os colombianos retornam às urnas neste domingo (21) para definir o próximo presidente em uma disputa que simboliza o embate entre projetos políticos distintos e opostos. De um lado, Iván Cepeda, nome da esquerda e aliado do atual governo de Gustavo Petro, busca dar continuidade ao Pacto Histórico. De outro, o advogado de extrema-direita Abelardo De La Espriella, apoiado abertamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propõe uma guinada conservadora e um alinhamento estratégico com Washington.
Cenário de incertezas
No primeiro turno, realizado em 31 de maio, De La Espriella conquistou uma vantagem de 673 mil votos. O cenário atual, contudo, permanece incerto. Embora a terceira colocada, Paloma Valencia, tenha declarado apoio à extrema-direita, analistas alertam que a migração desses votos não é automática. O professor de Fronteiras e Direitos Humanos da UFGD, Sebástian Granda Henao, ressalta que o contexto da Copa do Mundo e a resistência de eleitores de centro a uma direita radical podem reconfigurar o pleito, comparando o cenário à vitória apertada de Petro em 2022.
Projetos em disputa
A candidatura de Iván Cepeda foca na preservação das alianças sul-americanas e no aprofundamento das reformas trabalhistas e previdenciárias aprovadas pelo atual governo. Defensor dos direitos humanos e filho de um ex-senador assassinado em 1994, Cepeda representa a continuidade da agenda progressista. Em contrapartida, De La Espriella, um entusiasta do modelo de Javier Milei na Argentina, utiliza um marketing político baseado na imagem do “homem forte”. Sua plataforma é centrada no endurecimento da retórica de combate às drogas e na intensificação das relações com os Estados Unidos e Israel.
Geopolítica e impactos regionais
O resultado da eleição na Colômbia segunda nação mais populosa da América do Sul terá repercussões diretas na dinâmica geopolítica do continente. Segundo Henao, a vitória do candidato apoiado por Trump significaria um retrocesso em agendas prioritárias, como a transição energética e o combate à desigualdade, além de exigir uma submissão maior à política externa de Washington. Por outro lado, a permanência da esquerda no poder consolidaria a aliança estratégica entre Colômbia, Brasil e México, fortalecendo um bloco de posicionamentos comuns no cenário internacional.
Desafios internos
Independente do vencedor, o novo presidente enfrentará uma Colômbia marcada por conflitos armados históricos que o projeto de “Paz Total” de Petro ainda não conseguiu solucionar integralmente. O país, que mantém indicadores econômicos estáveis apesar da instabilidade social, aguarda uma definição sobre o rumo das reformas sociais. Com o voto facultativo e um histórico de comparecimento de 57% no primeiro turno, o engajamento do eleitorado no próximo domingo será o fator decisivo para determinar se o país seguirá sob a liderança progressista ou se abraçará o projeto conservador de De La Espriella.