Pesquisadores brasileiros identificaram que mutações no gene TP53 podem estar associadas a uma pior resposta ao tratamento em pacientes com câncer de pulmão. A descoberta foi publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas e envolveu a análise de amostras tumorais de 1.131 pacientes atendidos pelo Hospital de Amor, em Barretos (SP) e Porto Velho (RO), entre 2018 e 2023.
O objetivo do estudo foi mapear as principais alterações genéticas presentes nos tumores e avaliar como elas podem influenciar a evolução da doença. Os pesquisadores analisaram 20 genes relacionados ao câncer de pulmão e encontraram alterações consideradas relevantes em 88% dos pacientes avaliados.
TP53 foi a alteração mais frequente
Entre os genes analisados, o TP53 apresentou a maior frequência de mutações, aparecendo em 656 pacientes (58%) com câncer de pulmão. Na sequência, vieram os genes KRAS, encontrado em 289 indivíduos (25,6%), e EGFR, presente em 228 casos (20,6%).
TP53 funciona como uma espécie de mecanismo de proteção do organismo. Quando sofre mutações, essa função pode ser comprometida, favorecendo o desenvolvimento e a progressão de tumores.
O principal achado do trabalho foi a relação entre mutações no TP53 e a resposta ao tratamento em pacientes que também apresentavam alterações no gene EGFR.
Segundo os pesquisadores, pacientes com mutações simultâneas em EGFR e TP53 tiveram sobrevida específica por câncer de 24 meses, enquanto aqueles com alteração apenas no EGFR apresentaram sobrevida de 61 meses.
Para os autores, o resultado sugere que a presença do TP53 pode influenciar o prognóstico e ajudar a identificar pacientes com maior risco de evolução desfavorável da doença.
Atualmente, testes genéticos já são utilizados para orientar a escolha de terapias em pacientes com câncer de pulmão. De acordo com os pesquisadores, os resultados reforçam a importância de uma análise molecular mais ampla dos tumores, permitindo compreender melhor quais alterações genéticas podem interferir na resposta aos tratamentos.
Os autores destacam, porém, que o estudo foi retrospectivo e observacional, baseado em dados já existentes. Por isso, novas pesquisas serão necessárias para confirmar os achados e avaliar como as informações poderão ser incorporadas à prática clínica.
Via Metrópoles