Data é uma das mais marcantes do período junino no Maranhão. Celebração de festejo em São Luís tem encerramento estrelado.
Neste sábado (13) é celebrado o Dia de Santo Antônio, uma das datas mais emblemáticas do período junino no Maranhão. Em São Luís, o festejo em homenagem ao santo será encerrado no Centro, na igreja homônima, com uma missa e, em seguida, grandes atrações no largo: os batizados do Boi de Axixá e do Cacuriá Balaio de Rosas, além de apresentação do Bumba Meu Boi de Maracanã.
A programação deve receber centenas de pessoas. Algumas, inclusive, possuem história intimamente ligada a Santo Antônio, considerado o santo casamenteiro. É o caso de Caio Cavalcante, arquiteto de 25 anos que está em um relacionamento há 11 meses, e que começou com uma “ajudinha” do santo.
Em 2025, logo antes do período junino, o jovem fez um pedido especial. “Eu fiz uma oração em casa mesmo, do jeito que eu sempre faço. Não fui à igreja mas foi uma oração dirigida a Santo Antônio porque eu sentia que gostaria de ter um relacionamento com alguém que fosse ficar para a minha vida”, conta Caio.

Após a conversa em particular com o santo casamenteiro, o arquiteto afirma que as coisas começaram a caminhar em uma direção agradável. “Me lembro que eu estava solteiro e não tinha nada direcionado a algo mais sério com ninguém. Depois que eu fiz essa oração a gente se conheceu e tudo evoluiu muito rápido. Logo eu já sabia que pronto, era ela mesma. E faremos um ano agora em julho”.
Caio também exalta o papel do santo na concretização do pedido ao relembrar detalhes das intenções. “Pedi para ele mandar uma parceira que fosse companheira, agradável, com senso de humor, bonita, gente boa. E ele mandou simplesmente a melhor parceira do mundo”, contou Caio.
A parceira em questão é Ana Luiza Arruda, psicóloga de 27 anos. Sorrindo, ela relata sobre o sentimento quando soube da oração feita pelo namorado: “achei muito fofo, achei lindo. Eu nunca tinha falado com Santo Antônio, mas da última vez que fomos ao largo eu achei de bom tom agradecer a ele, porque ele fez uma ótima escolha.”

Caio e Ana Luiza são apenas mais um de vários casais que ajudam a explicar a fama do santo. A origem da alcunha vem de séculos atrás, quando Santo Antônio viveu em Portugal. O padre José Ribamar do Nascimento afirma que há dois fatos principais que explicam esse reconhecimento. O primeiro deles está relacionado à forma como os casamentos eram encarados e organizados, e como Santo Antônio interviu nessas questões.
“Havia no século XIII o casamento entre famílias, daí a razão também porque até pouco tempo atrás aqui no Brasil se dizia que eram os pais que escolhiam o casamento dos seus filhos”, diz o padre. “Tinha também a questão étnica e pecuniária, todo um preconceito econômico e social. Os filhos quase não tinham liberdade.”
Segundo o padre, foi nesse contexto que Santo Antônio encontrou muitos jovens interessados em casar, mas que não tinham condições de pagar o dote para as famílias. Diante disso, o santo pedia esmolas para ajudar esses jovens.
O outro fator associado à tradição de casamenteiro está relacionado às barreiras encontradas junto às famílias. Em alguns casos, com a desaprovação dos pais, os jovens procuravam Santo Antônio para que ele, em segredo, os casasse, uma vez que depois de sacramentado o matrimônio não seria possível a separação.
“Ele ajudou muito na sua época, além de ser chamado de pai dos pobres, a solucionar muitos casos devido a esse impedimento por causa dos pais. Então ele levava em consideração justamente a exigência maior para um casal, que é o amor”, ressalta o padre.