Padrasto e mãe são condenados a prisão por crimes contra adolescente


Eirunepé – O 1º Tribunal do Júri da Comarca de Manaus condenou, Antônio Sirlande Coelho da Silva a 35 anos e 6 meses de reclusão pelos crimes de feminicídio e estupro de vulnerável praticados contra a própria enteada, de 13 anos, em Eirunepé (a 1.160 quilômetros a sudoeste de Manaus). No mesmo julgamento, realizado ao longo de dois dias e encerrado na noite desta quarta-feira (3), a mãe da vítima, Maria Janeide Pereira da Costa, foi condenada a 10 anos, 4 meses e 8 dias de prisão por estupro de vulnerável por omissão.

(Foto: Alinne Senna/MPAM)

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), as investigações demonstraram que o padrasto da vítima praticava abusos sexuais contra a adolescente de forma reiterada, aproveitando-se da convivência familiar e da posição de autoridade exercida dentro do ambiente doméstico.

As apurações também comprovaram que, em novembro de 2021, o acusado matou a adolescente utilizando arma branca, crime praticado com extrema violência. O Ministério Público sustentou que o homicídio ocorreu em contexto de violência de gênero e foi precedido por abusos sexuais contra a vítima.

Durante a tramitação do processo, ficou demonstrado, ainda, que a mãe da adolescente tinha conhecimento dos abusos relatados pela filha e “deixou de adotar medidas capazes de interromper a prática criminosa, circunstância que fundamentou sua responsabilização penal por omissão imprópria”.

Ao final do julgamento, os jurados acolheram as teses apresentadas pelo MP e reconheceram a responsabilidade dos réus pelos crimes apurados no processo.

A sentença foi lida pelo juiz Rafael Raposo e o julgamento foi realizado em Manaus após o desaforamento do processo, medida prevista na legislação que transfere o julgamento para outra comarca quando há necessidade de garantir a imparcialidade dos jurados e a regularidade do julgamento.

Com a decisão, o caso, que chocou os eirunepeenses, chega ao seu desfecho no Tribunal do Júri em Manaus, após mais de quatro anos de tramitação. A condenação resulta do conjunto de provas produzido durante a investigação e reforçado ao longo da instrução processual.





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