Uma doença considerada uma das mais agressivas da bananicultura acendeu o alerta sanitário no Acre após o primeiro caso de moko da bananeira ser confirmado no município de Feijó, no interior do estado.
A ocorrência foi identificada na comunidade Seringal Nova Sorte, às margens do Rio Envira, e confirmada pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) após análise realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA/GO), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2 e pode destruir plantações inteiras de banana, afetando diretamente produtores rurais e famílias que dependem da cultura para geração de renda.
Entre os sintomas estão o amarelecimento e murcha das folhas, além do apodrecimento dos frutos em diferentes variedades da fruta.
Após a confirmação do caso, o Idaf iniciou uma força-tarefa emergencial para tentar conter o avanço da doença na região.
Segundo o órgão, equipes técnicas passaram a realizar monitoramento intensivo, eliminação das plantas infectadas e orientação sanitária aos agricultores da localidade.

Equipes percorrem comunidades pelo Rio Envira
Para alcançar as áreas afetadas, os servidores enfrentam deslocamentos por trechos de difícil acesso, incluindo viagens pelo Rio Envira.
Além das ações de contenção na propriedade atingida, o Idaf também iniciou monitoramento em um raio de cinco quilômetros para identificar possíveis novos focos da bactéria.
O produtor Antônio Osmildo, que cultivava um hectare de banana, relatou que percebeu a morte gradual das plantas há cerca de um ano antes de procurar ajuda técnica.
“Fui ao Idaf buscar saber o que estava acontecendo no meu bananal. As plantas não estavam se desenvolvendo e eu não sabia o que era. Então procurei a unidade do Idaf de Feijó, onde estou recebendo toda a assistência para conter a praga”, afirmou.
Até o momento, não há confirmação sobre como a bactéria chegou à comunidade rural.
Segundo o Idaf, a disseminação da doença pode ocorrer por meio de ferramentas contaminadas, calçados, solo infectado, contato entre raízes, água e até insetos, como abelhas arapuás.
Idaf reforça alerta aos produtores
A coordenadora estadual do Programa de Sanidade da Bananicultura, Malena Lima, afirmou que a rapidez na notificação feita pelos produtores foi fundamental para identificação do problema.
“O Idaf já desenvolve ações contínuas de monitoramento dos plantios de banana e educação sanitária justamente para prevenir que pragas como essa causem danos consideráveis à produção e prejudiquem os produtores rurais, principalmente aqueles que vivem da agricultura familiar”, destacou.
O instituto também reforçou o alerta para que produtores comuniquem imediatamente qualquer suspeita da doença às equipes técnicas.
“Nossas equipes enfrentam longas distâncias, percorrem rios e acessam comunidades de difícil acesso para garantir que as orientações técnicas cheguem até o produtor rural. O trabalho de monitoramento e prevenção é fundamental para proteger a agricultura acreana, e isso só é possível graças à união entre o governo do Estado, o Idaf e os produtores”, afirmou Malena Lima.