Nobel da Paz Narges Mohammadi recebe alta hospitalar após ataque cardíaco


A ativista iraniana Narges Mohammadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2023, recebeu alta médica e deixou o hospital após passar semanas internada devido a um ataque cardíaco. A informação foi confirmada em nota oficial emitida pela Fundação Narges nesta segunda-feira (18). Abalada por graves problemas de saúde, a defensora dos direitos humanos obteve uma suspensão condicional de sua pena de prisão mediante o pagamento de fiança, retornando para sua residência em regime de ambulatório.

O estado de saúde da ativista, de 54 anos, apresentou uma deterioração severa desde sua última detenção, ocorrida em dezembro de 2025. Após sofrer o infarto e apresentar múltiplas complicações clínicas, Mohammadi precisou ser transferida emergencialmente da prisão de Zanjan para unidades hospitalares de alta complexidade em Teerã, onde permaneceu sob cuidados intensivos na ala coronária.

Tratamento rigoroso e advertência familiar

De acordo com o relatório detalhado pela fundação, a ativista deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Pars, na capital iraniana, no último domingo (17). O cronograma terapêutico estabelecido para as próximas semanas prevê o retorno regular à unidade hospitalar para o monitoramento de parâmetros cardíacos e neurológicos, além da realização de sessões diárias de fisioterapia motora em seu domicílio.

Em comunicado oficial, a filha da ativista, Kiana Rahmani, enfatizou que a recuperação da mãe exige supervisão médica rigorosa e contínua fora do ambiente carcerário. Ela classificou a possibilidade de uma nova transferência para o cárcere como uma “sentença de morte” e cobrou que todas as acusações judiciais contra Mohammadi sejam definitivamente retiradas pelas autoridades do Poder Judiciário do Irã.

Histórico de internações e o apelo do Comitê Nobel

A junta médica responsável pelo atendimento, composta por cardiologistas e neurologistas, emitiu um parecer técnico atestando que é absolutamente vital que a paciente permaneça em ambiente extra-hospitalar e doméstico. Os especialistas confirmaram que o quadro clínico está diretamente associado à pressão psicológica severa, ansiedade crônica e estresse prolongado decorrentes de mais de dez anos de privação de liberdade.

Antes de dar entrada no Hospital Pars, em Teerã, onde permaneceu assistida de 10 a 17 de maio, Narges Mohammadi havia ficado internada na UTI do Hospital Mousavi, em Zanjan, no período de 1º a 10 de maio. O agravamento do quadro de saúde da laureada já havia mobilizado o Comitê Nobel norueguês, que emitiu um apelo formal direcionado ao governo de Teerã exigindo sua libertação imediata por razões humanitárias.

Condenações políticas e trajetória de resistência

Narges Mohammadi cumpre uma série de penas unificadas impostas pela Justiça do Irã, sob a acusação de crimes políticos como “propaganda contra o Estado” e “conspiração contra a segurança nacional”. A ativista, historicamente reconhecida por sua luta contra a pena de morte e em defesa dos direitos das mulheres no Oriente Médio, foi detida pela última vez em Mashhad, logo após desfrutar de um breve período de suspensão temporária de sua pena anterior.

Ao longo de sua trajetória de dissidência política, Mohammadi enfrentou sucessivas prisões decretadas pelo regime teocrático iraniano. Em outubro de 2023, quando o Comitê do Nobel anunciou a concessão do prêmio da paz em reconhecimento à sua resistência pacífica contra a opressão feminina no Irã, a ativista já se encontrava encarcerada no complexo penitenciário de Evin, tornando-se um símbolo global de resistência.

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