“Eleitor não é um algoritmo”: TRE-MA alerta para uso de IA nas eleições


Desembargadora Francisca Galiza detalhou o alcance da biometria no estado, que já chega a 95%, e as estratégias para agilizar a apuração dos votos.

A presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), desembargadora Francisca Galiza, concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal da Difusora 2ª Edição. A magistrada, que comanda a Justiça Eleitoral no estado ao lado do vice-presidente, desembargador Sebastião Bonfim, fez um balanço sobre o cadastro eleitoral e detalhou os preparativos para as eleições deste ano.

O trabalho do TRE-MA tem apresentado resultados expressivos. De acordo com a presidente, o estado deve registrar cerca de 50 mil novos eleitores, embora o número oficial só deva ser divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o final de junho.

O grande destaque, no entanto, é o cadastramento biométrico. O Maranhão alcançou a marca de 95% do eleitorado com biometria, um dos maiores índices de todo o país. Durante o último ano, o número de eleitores sem as digitais cadastradas caiu de 350 mil para cerca de 250 mil. “A biometria vai facilitar e diminuir o tempo na hora da votação. Neste ano, nós teremos seis cargos para votar (presidente, governador, dois senadores, deputado federal e estadual), então esse processo agiliza muito”, explicou a desembargadora.

Agilidade na apuração dos votos

Para garantir que o resultado das eleições saia o mais rápido possível, mesmo com eleitores em áreas de difícil acesso, o TRE-MA está investindo em tecnologia. A Justiça Eleitoral pretende ampliar os pontos de transmissão de dados que funcionam diretamente nas seções de votação. A meta é saltar de 600 para mais de mil pontos de transmissão, garantindo mais rapidez e transparência na totalização dos votos.

Questionada sobre o debate em torno da segurança das urnas eletrônicas, a presidente foi categórica ao afirmar que o equipamento é totalmente seguro e auditável antes, durante e depois das eleições. Ela também fez um apelo para que a imprensa, os partidos políticos e a sociedade acompanhem de perto as cerimônias de preparação das urnas, para atestar a credibilidade do processo.

Alerta contra as ‘Deepfakes’

Um dos maiores desafios para as campanhas deste ano será o uso da Inteligência Artificial (IA). Segundo a desembargadora, o TSE se preparou para o cenário e criou resoluções rigorosas. O tribunal determinou um “apagão” das ferramentas de inteligência artificial 72 horas antes e 24 horas depois do pleito.

“A Justiça Eleitoral não é contra a inteligência artificial, desde que ela seja usada com responsabilidade. O que não permitimos é que o deepfake utilize a voz e o rosto de candidatos para enganar as pessoas. O eleitor deve ser o dono do seu voto, e não um algoritmo”, alertou Francisca Galiza.

A desembargadora também esclareceu a situação dos recursos pendentes das eleições de 2024. O TRE-MA aguarda a nomeação de novos juristas pelo presidente da República, mas o trabalho não parou. Para dar uma resposta rápida à sociedade, os juízes mais antigos da corte, como Ros Maciel e Marcelo Oca, foram designados para agilizar esses julgamentos.

Por fim, a presidente do TRE-MA deixou uma mensagem de confiança aos eleitores maranhenses. “A Justiça Eleitoral vai cumprir o seu papel de garantir a democracia. Nós vamos fazer uma eleição pacífica e transparente, e aguardamos que o cidadão exerça o seu direito de escolher livremente o que é melhor para ele”, concluiu.



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