O anúncio da chegada do El Niño ainda para esta primeira quinzena de maio ou nos primeiros dias de junho já projeta um cenário climático considerado preocupante por especialistas. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, apresenta projeções que chamam atenção da comunidade meteorológica internacional e pode trazer impactos significativos para Rondônia e toda a região amazônica.
As anomalias identificadas pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) durante o mês de abril e na primeira semana de maio, segundo levantamento realizado pela MetSul Meteorologia com base nos dados do organismo norte-americano, indicam aquecimento das águas acima de 1ºC.
“Uma grande quantidade de água extremamente quente, com anomalias recordes de até 8ºC a 9ºC acima da média até 200 metros de profundidade, recém começa a emergir na superfície e tende a intensificar o aquecimento superficial do Pacífico Equatorial durante as próximas semanas, levando a um episódio de El Niño”, explicam os meteorologistas da MetSul, Estael Sias e Luiz Fernando Nachtigall.
Com o avanço do aquecimento das águas, a probabilidade é de que o anúncio oficial do fenômeno ocorra entre maio, junho ou até julho. Ainda segundo os especialistas, o evento deverá ganhar força durante o inverno, período em que tradicionalmente ocorre sua intensificação.
O auge da intensidade está projetado para os meses de outubro, novembro e dezembro, período correspondente ao último trimestre do ano. Modelos climáticos internacionais já classificam o possível evento como de categoria extremamente forte, podendo atingir níveis históricos.

A expectativa é de que o aquecimento das águas na região Niño 3.4 alcance até 3,4ºC, com variações que podem se aproximar dos 4ºC. Caso os índices se confirmem, o fenômeno poderá superar eventos registrados desde o século XIX, período em que as medições climáticas passaram a ser monitoradas de forma sistemática.
El Niño pode provocar impactos significativos em Rondônia
O fenômeno El Niño pode provocar impactos significativos em Rondônia, principalmente pela redução das chuvas, aumento das temperaturas e agravamento da estiagem entre julho e novembro. Com menos precipitação sobre a Amazônia, rios importantes como o Madeira tendem a registrar níveis abaixo da média, afetando diretamente a navegação, o abastecimento de comunidades, o transporte de alimentos e combustíveis, além da pesca e da geração de energia.
Outro ponto de preocupação é o aumento das queimadas e incêndios florestais. O clima mais seco e o calor intenso favorecem a propagação do fogo em áreas urbanas e rurais, elevando a fumaça, piorando a qualidade do ar e aumentando os casos de doenças respiratórias, o que pode sobrecarregar o sistema de saúde.

As projeções, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), também indicam ondas de calor mais severas e prolongadas. Em Porto Velho e em outras regiões do estado, as temperaturas podem ultrapassar os 40°C durante os períodos mais críticos da estiagem.
O fenôeno tende a provocar cenários distintos nas diferentes regiões do país. Segundo especialistas, há risco elevado de chuvas extremas, deslizamentos e enchentes na Região Sul, enquanto as regiões Norte e Nordeste podem enfrentar agravamento da seca e aumento do risco de incêndios florestais. Já a região Central do Brasil deverá registrar ondas de calor mais frequentes e baixos índices de umidade do ar.
Na agricultura, os impactos atingem desde pequenos produtores até grandes lavouras, comprometendo pastagens e culturas importantes para a economia regional, como milho, café, soja e mandioca. Especialistas ainda monitoram o risco de uma nova seca histórica na bacia amazônica, semelhante à registrada em 2023 e 2024, quando rios atingiram níveis extremamente baixos e diversas comunidades ficaram isoladas.
Diante desse cenário, órgãos ambientais, a Defesa Civil e instituições meteorológicas acompanham a evolução do fenômeno, aumentando a preocupação com os impactos ambientais, econômicos e sociais que Rondônia poderá enfrentar nos próximos meses. Com informações de MetSul e Cemaden.





