A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) manifestou apoio à decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Segundo a entidade, a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, que impunha uma alíquota de 20% desde agosto de 2024, corrige uma política que não cumpriu sua promessa original de estimular o setor produtivo brasileiro.
O diretor-executivo da Amobitec, André Porto, argumenta que a taxação resultou em aumento de preços para o consumidor final sem que houvesse contrapartida na geração de postos de trabalho ou renda nos setores protegidos. Estudos encomendados pela associação indicam que os lucros provenientes da medida foram absorvidos pelo varejo nacional por meio de reajustes acima da inflação, enquanto o poder de compra das classes de menor renda foi severamente impactado pela redução da oferta de produtos importados acessíveis.
A análise da entidade aponta ainda que a manutenção do tributo aprofundava desigualdades sociais. Porto destaca que consumidores de alta renda possuem isenção de até US$ 1 mil em viagens ao exterior, enquanto a população mais pobre, que depende do e-commerce internacional para acessar bens de consumo, era penalizada com a cobrança. Para a associação, que representa plataformas como Amazon, Shein e AliExpress, o fim da taxa realinha o Brasil a práticas internacionais de consumo.
Apesar do posicionamento favorável da Amobitec, a decisão do governo enfrenta forte resistência de grandes entidades industriais e varejistas. Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) expressaram preocupação com a medida, sob o argumento de que a isenção cria uma concorrência desleal. Segundo essas organizações, as empresas brasileiras seguem submetidas a uma carga tributária elevada, o que daria vantagem competitiva injusta às plataformas estrangeiras no mercado interno.
*Fonte: Agência Brasil