“Ainda existe insegurança”, dizem pais no retorno das aulas da rede estadual em Rio Branco


O retorno das aulas presenciais na rede estadual de ensino, nesta quarta-feira, 13, ocorreu em meio a sentimentos de insegurança e preocupação entre pais, estudantes e professores em Rio Branco. Pouco mais de uma semana após o ataque armado no Instituto São José, que resultou na morte de duas servidoras, famílias afirmam que o clima nas escolas ainda é de apreensão.

Na Escola Estadual Neutel Maia, uma das unidades que retomaram as atividades com novos protocolos de segurança, pais relataram medo diante da possibilidade de novos episódios de violência e defenderam ações permanentes de prevenção dentro das instituições de ensino.

“Ainda há preocupação”

Mãe de uma estudante do Neutel Maia e professora em outra escola, Geise Melo afirmou que o retorno das crianças às salas de aula ainda acontece cercado de insegurança.

“Enquanto mãe, a gente traz os nossos filhos, mas ainda com aquele sentimento de preocupação e insegurança. Tendo em vista que, por mais que o governo, juntamente com as escolas e as reuniões, os protocolos que foram adotados, mas ainda assim se tem uma insegurança”, disse.

“Ainda existe insegurança”, dizem pais no retorno das aulas da rede estadual em Rio Branco
Geise Melo afirmou que o retorno das crianças às salas de aula ainda acontece cercado de insegurança – Foto: Vitor Paiva

Ela afirmou que espera continuidade nas medidas anunciadas pelo governo e pelas escolas.

“Nós vamos acreditar que agora terá um olhar mais cuidadoso, preventivo. E assim, enquanto mãe, enquanto pai, nós também temos que fazer esse monitoramento. Não transferir esse problema tão somente para a instituição, enquanto governo e também para as escolas”, declarou.

Geise também avaliou que os protocolos implantados nas escolas precisam ser mantidos por tempo indeterminado.

“Nós tivemos várias reuniões para alinhamento, tanto na escola dos filhos quanto também na escola na qual eu trabalho. Tudo é muito experimental, mas precisamos saber que é por tempo indeterminado. Não é curto prazo. Precisamos cuidar das nossas crianças e nós, enquanto pais e mães, temos essa responsabilidade também”, afirmou.

“Não depende só da escola”

Pai de uma estudante da unidade, Paulo Felipe Nogueira relatou que a orientação recebida pela escola foi para que as famílias mantivessem a tranquilidade durante o retorno das aulas.

“A escola passou pra gente manter tranquilidade. E outra coisa, não só depende também das escolas, o governo também tem que participar, principalmente a Secretaria de Estado de Educação”, disse.

Ele também comentou os impactos do atentado entre os profissionais da educação.

“A minha esposa é professora. Ela também se sente coagida. Ela não gosta de falar muito sobre isso porque o professor se sente coagido”, afirmou.

Paulo Felipe defendeu ainda maior acompanhamento familiar sobre o conteúdo acessado por crianças e adolescentes na internet.

“Os pais precisam conversar muito com seus filhos, principalmente sobre celular, ver o que os filhos estão olhando na internet. Isso influencia muito. Hoje o mundo é digital, então a gente precisa observar. Não só a direção. Isso parte também em casa”, declarou.

Novos protocolos nas escolas

Com a retomada das atividades, escolas estaduais passaram a adotar novos protocolos de segurança. Na Escola Neutel Maia, o acesso dos estudantes passou a ocorrer exclusivamente pelo portão principal, com monitoramento da equipe gestora e possibilidade de inspeção visual preventiva de mochilas, bolsas e pertences.

As medidas também incluem reforço no controle de visitantes, monitoramento dos portões nos horários de entrada e saída, apoio das forças de segurança pública e intensificação do acompanhamento disciplinar e socioemocional dos estudantes.

Ataque no Instituto São José

O ataque no Instituto São José ocorreu na tarde do dia 5 de maio, quando um adolescente de 13 anos, aluno da própria instituição, efetuou disparos dentro da escola. As inspetoras Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 36, morreram no local. Uma estudante e outra funcionária ficaram feridas.



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