Uma semana após o ataque ao Instituto São José, em Rio Branco, o delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Buzolin, afirmou que as investigações seguem em andamento, mas que, até o momento, não há elementos concretos que indiquem a participação de outras pessoas no atentado ou risco confirmado de novos ataques no estado. A declaração foi dada nesta segunda-feira (11), ao ac24horas.
Segundo Buzolin, a Polícia Civil continua investigando tanto o atentado quanto denúncias e informações surgidas após a tragédia, incluindo possíveis conexões com ameaças ou grupos ligados a ataques em escolas. O atentado deixou mortas as servidoras Raquel Sales Feitosa e Alzenir Pereira da Silva. “A Polícia Civil vem trabalhando não só neste caso específico do ataque que ocorreu, bem como visando apurar todas as denúncias que vêm ocorrendo com relação a esse fato, se possui qualquer ligação com outros ataques ou outras pessoas envolvidas”, afirmou.
De acordo com o delegado-geral, até agora as investigações ainda apontam para um ato isolado. “Até o presente momento, não conseguimos identificar nenhum fato concreto que gerasse uma preocupação e que nos trouxesse qualquer elemento concreto da realização de um novo ataque ou de outras pessoas envolvidas”, declarou.
Buzolin reforçou que a polícia ainda trata o atentado como um episódio isolado, embora as diligências continuem em andamento. “A Polícia ainda trata isto como um fato isolado, como um momento muito trágico, mas que ainda não conseguimos comprovar, até agora, a ligação de outras pessoas com esse crime”, disse.
Durante a entrevista, o delegado também foi questionado sobre relatos feitos por familiares de uma das vítimas, Raquel Sales Feitosa, envolvendo supostas ameaças anteriores ao atentado.
Em depoimento ao qual o ac24horas teve acesso, Dilvan Braga, viúvo de Raquel, afirmou que a esposa havia comentado sobre uma conversa envolvendo o advogado Ruan de Mesquita Amorim, padrasto do adolescente autor dos disparos e proprietário da pistola calibre .380 usada no ataque. O advogado teria procurado a escola semanas antes do crime para reclamar de supostos episódios de bullying sofridos pelo adolescente.
Questionado sobre a possibilidade de o padrasto ou o próprio viúvo terem omitido ou mentido em depoimento prestado à polícia, Buzolin afirmou que todas as informações estão sendo verificadas, mas ressaltou que detalhes da investigação seguem sob sigilo. “Nós estamos averiguando todas as informações e infelizmente eu não posso tecer detalhes das investigações que correm em sigilo”, declarou.
O delegado também confirmou que a análise do celular apreendido com o adolescente ainda não foi concluída integralmente. “A análise do dispositivo ainda não foi concluída 100%”, afirmou.
Ao ser perguntado se o jovem participava de grupos relacionados a ataques ou violência escolar, Pedro Buzolin evitou confirmar ou descartar a hipótese. “Não posso falar que sim, nem que não”, respondeu.
O ataque ao Instituto São José ocorreu na manhã da última terça-feira (5), quando um adolescente de 13 anos entrou armado na instituição e efetuou disparos dentro da escola.
Raquel Sales Feitosa, de 36 anos, e Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, morreram após tentarem conter o adolescente e proteger estudantes e funcionários da unidade de ensino. Outras duas pessoas ficaram feridas, incluindo uma estudante.
Após a tragédia, o Governo do Acre implantou protocolos emergenciais de segurança nas escolas, reforço policial e medidas de acolhimento psicológico para estudantes, professores e familiares. As aulas retornam amanhã, quarta-feira (12).