
Muitas pessoas entendem a maternidade como um ponto de interrupção na carreira feminina. No meu caso, foi um ponto de evolução não só no âmbito pessoal, como também nos negócios. A chegada do meu filho, no fim do ano de 2022, me impôs um exercício fundamental de liderança: a delegação estratégica. Nessa época, a Diverno Gelato — marca que se tornou referência em São Luís — tinha quatro lojas. Hoje, ao lado do meu marido e sócio Rodrigo, já estamos preparando a abertura da oitava unidade na capital maranhense.
Antes da maternidade, meu foco era totalmente direcionado ao trabalho. Esse período de dedicação mais exclusiva à carreira foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional e rendeu marcos importantes, a exemplo da premiação como empreendedora maranhense de destaque concedida pela Assembleia Legislativa do Maranhão, em 2019, apenas três anos após a abertura da primeira loja da Diverno.
No entanto, esse reconhecimento não nasceu com a Diverno, é fruto de uma trajetória iniciada como executiva de uma grande rede de supermercados do Maranhão, que é atualmente a terceira maior empresa de varejo alimentar do país. Essa caminhada passou ainda por experiências empresariais em quiosques de sorvetes expresso e de açaí.
Com toda essa bagagem, eu poderia acreditar que já dominava a arte de gerir, mas a verdade é que sempre há algo novo a aprender. E a maternidade me trouxe uma lição sobre a importância de descentralizar. De início, delegar funções que antes eu executava foi a única alternativa viável frente ao novo papel de mãe. Porém, isso foi se mostrando uma decisão mais do que acertada para a empresa, pois o negócio ganhou maior musculatura para se desenvolver de forma mais independente e acelerada.
Liderar uma empresa e nutrir uma pequena vida exigem a mesma matéria-prima, mas com uma gestão de tempo e de prioridades completamente nova. Para que eu pudesse viver a maternidade com a presença que ela requer, otimizei minha agenda, o que me tornou uma gestora mais assertiva. A eficiência que eu buscava na produção de gelatos de altíssimo padrão passou a ser aplicada com maior intensidade à minha rotina diária.
Além disso, precisei confiar ainda mais no time que construí, criando processos mais robustos e aumentando o investimento na seleção e capacitação de pessoas. Hoje, nosso processo seletivo é criterioso: utilizamos avaliações psicológicas e testes práticos para identificar quem tem o DNA da marca. Uma vez no time, cada colaborador, da produção ao financeiro, mergulha em um intenso programa de desenvolvimento alinhado aos nossos valores, que são excelência, resultado, integridade e disponibilidade.
Para garantir que essa engrenagem funcione com precisão, implementamos pilares de monitoramento contínuo. Diariamente, antes da abertura das lojas, as vitrines são inspecionadas com atenção para confirmar se estão dentro dos padrões estabelecidos. Também fazemos reuniões periódicas com as lideranças de cada área e avaliamos mensalmente a operação por meio de clientes ocultos. Essa estrutura permitiu escalar o negócio e garantir que, em qualquer uma das nossas unidades, o cliente encontre o mesmo alto padrão de experiência, sem que eu precise estar inserida fisicamente no negócio tanto tempo quanto antes.
É claro que conciliar esses dois mundos é um enorme desafio, principalmente nos primeiros meses de vida do meu filho. Não existe equilíbrio perfeito, mas, com empenho, organização, uma boa equipe e o apoio do meu marido, tudo foi se encaixando. A maternidade trouxe dilemas, mas também inúmeras alegrias e um grande amadurecimento em todas as esferas. Longe de se tornar um obstáculo profissional, ocupar o lugar de mãe me fez uma empresária melhor e reafirmou que, tanto na receita de um gelato quanto na condução de um negócio, o segredo está na combinação entre o rigor técnico e o amor pelo que se constrói.