A ponte mais importante do Maranhão, no Estreito dos Mosquitos, único acesso rodoviário à capital São Luís, onde fica o complexo portuário do Itaqui e Ponta da Madeira, está com uma via interditada por tempo indeterminado. O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) realiza estudos necessários para as obras de reconstrução da ponte e normalização do tráfego do lado esquerdo (sentido litoral-São Luís), no km 24 da BR-135. Em junho, o órgão governamental anuncia lançar a licitação para uma nova estruturado capaz de sustentar o trânsito diário superior a 11 mil veículos, grande parte de carretas de grande tonelagem em direção ao Itaqui.
Desde sua primeira construção em 1970, como parte do asfaltamento do trecho da BR-135 no Maranhão, a ponte de Estreito dos Mosquitos tem apresentado problemas estruturais. No primeiro momento, ela passou anos concluída, mas sem uso.
Apresentava sérios desníveis, até que o então ministro dos Transportes Mário Andreazza, dos generais Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici, veio a São Luís para acabar com a suspeita de instabilidade da Ponte dos Mosquitos. Ele a cruzou de carro e liberou ao trânsito. Mas persistiram as enormes depressões no centro das estruturas, com subidas e descidas.
Com o aumento do trânsito de carretas de grande porte transportando grãos para o Porto do Itaqui, a velha ponte teve que ficar apenas com uma via, enquanto uma outra, no sentido São Luís-Bacabeira, foi providenciada.
A rodovia federal BR-135 é uma das maiores do Brasil, com 2.518 km extensão, no eixo longitudinal norte-sul, e faz a ligação de São Luís (MA) a Belo Horizonte (MG), passando pelos estados do Piauí e Bahia. Portanto, a ponte é de enorme importância para o desenvolvimento do Maranhão, especialmente, da capital. Sem ela, haverá estrangulamento no movimento do Itaqui, principal porto do Nordeste.
São três pontes paralelas – sendo uma de estrutura metálica, da Ferrovia Transnordestina –, que fazem a ligação do continente com a Ilha Upain-Açu. A principal é a Ponte Marcelino Machado, ou do Estreito dos Mosquitos, sobre o canal do mesmo nome.
Foi concluída em 1970 com 456 metros de extensão. Na história da ligação do continente com a cidade de São Luís, todo o trânsito era feito pela ponte metálica Benedito Leite, da Ferrovia São Luís-Teresina, inaugurada em 1928.
Com o projeto da ZPE a ser instalada brevemente em Bacabeira, a ponte ganha ainda mais importância econômica no futuro próximo.
A outra ponte de cimento armado, com o nome de Marcelino Machado, homenageou o genro de Benedito Leite, governador do Maranhão no começo do século XX e influente político na primeira República, que deixou o nome gravado na Biblioteca de São Luís, num município ao Sul do Estado e em várias praças e ruas.
Como se pode perceber, o acesso à capital, depois de séculos, feito apenas por barcos, até hoje enfrenta problemas quando se trata de rodovia. A velha ponte de aço, porém, garante o transporte de cargas das ferrovias dos Carajás, de minério da Vale para o mundo; e da Transnordestina, da Logística S/A até Fortaleza, pertencente à gigante Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
A interligação São Luís ao continente, que sustenta o seu acrescimento econômico passa primeiramente pelo município de Bacabeira, local que já deu muito o que falar, de uma refinaria que não saiu do papel. Rendeu discursos políticos, vitórias eleitorais, prejuízos oficiais e privados e não passou de um sonho de verão sobre a paisagem de várzeas, dominadas por água no inverno e fogo no verão, nos Campos de Perizes.
Agora, a bola da vez em Bacabeira é a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), criada em 2024, após décadas de falação e planejamento. Promete impactos econômicos, atraindo empresas exportadoras em larga escala, com geração de 20 mil empregos. Que, porém, não sejam como os da refinaria e como a ponte de altos e baixos no Estreito dos Mosquitos.