Por ANDERSON MELO, de Macapá (AP)
O Amapá entrou em nível de alerta para novos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo a nova edição do Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz. O levantamento aponta tendência de crescimento da doença associada à maior circulação dos vírus influenza A e vírus sincicial respiratório (VSR), principalmente neste período sazonal. De acordo com o boletim, o estado aparece entre as unidades da federação com incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas semanas. A classificação utilizada pela Fiocruz indica aumento acima do esperado para o período, com tendência de crescimento dos casos e maior pressão sobre a rede de saúde.
A capital Macapá também está entre as 18 capitais brasileiras com sinal de crescimento de casos na tendência de longo prazo, considerando as últimas seis semanas epidemiológicas.
O estudo mostra que os casos relacionados à influenza A apresentam tendência de queda no Amapá, após um início antecipado da sazonalidade na Região Norte. Apesar disso, a Fiocruz destaca que o vírus ainda circula em níveis elevados, mantendo a preocupação das autoridades de saúde.
Já os registros de SRAG associados ao vírus sincicial respiratório continuam em crescimento no estado, especialmente entre crianças menores de 2 anos, faixa etária considerada a mais afetada neste momento epidemiológico. Segundo o boletim, a incidência da síndrome é maior entre crianças pequenas e está ligada principalmente ao VSR e ao rinovírus.

Aumento de casos registrados no Hospital de Santana
Por outro lado, a mortalidade é mais elevada entre idosos, principalmente em casos associados à influenza A e à Covid-19. A Fiocruz aponta ainda que, nos casos de SRAG provocados pela influenza A, o maior impacto das internações ocorre em crianças menores de 2 anos, enquanto as mortes seguem concentradas na população acima de 65 anos.
Aumento em Santana
Dados divulgados pelo Governo do Amapá também apontam aumento expressivo dos atendimentos respiratórios pediátricos no Hospital Estadual de Santana, referência em urgência e emergência na região. Na Sala de Decisão Clínica Pediátrica, os atendimentos saltaram de 47 casos em janeiro para 194 em abril deste ano, o maior número registrado no quadrimestre.
Entre os principais diagnósticos estão pneumonia, que alcançou 138 casos somente em abril, além de broncopneumonia e bronquiolite. Na Sala Amarela Pediátrica, destinada a pacientes que necessitam de maior observação, abril também apresentou crescimento significativo, com 76 atendimentos respiratórios no período.

138 casos de pneumonia em abril
Os casos mais graves atendidos na Sala Vermelha Pediátrica também tiveram aumento entre janeiro e março, incluindo crianças com pneumonia, bronquiolite e broncopneumonia que precisaram de suporte intensivo. Diante do cenário, o Governo do Estado reforçou orientações de prevenção, principalmente para crianças e idosos, considerados os grupos mais vulneráveis durante o período de maior circulação dos vírus respiratórios.
O boletim também reforça que a vacinação contra a gripe segue sendo a principal medida para evitar casos graves e mortes, principalmente entre idosos, crianças e pessoas com comorbidades.