Audiência pública na Alap alerta para uso e descarte de canetas emagrecedoras no Amapá – Diário do Amapá


 

A popularidade das canetas emagrecedoras acendeu um alerta no Estado do Amapá: o uso irracional e os riscos provocados pelo descarte inadequado desses produtos. O tema foi discutido na manhã desta sexta-feira (8), em audiência pública realizada no plenário Deputado Dalto Martins, na Assembleia Legislativa do Amapá (Alap).

 

Proposto pelo Conselho Regional de Farmácia, o debate teve como objetivo alertar para os impactos que esse tipo de produto pode causar tanto à saúde pública quanto ao meio ambiente e reuniu diversos profissionais.

 

 

“Vamos questionar e propor soluções para os processos de aquisição, armazenamento e distribuição das canetas emagrecedoras, como Ozempic, Saxenda e Mounjaro, tendo como foco principal mitigar os riscos sanitários e ambientais decorrentes da popularização desses medicamentos. Precisamos debater o uso indiscriminado sem acompanhamento médico, orientar a população sobre o descarte de materiais perfurocortantes (agulhas) e eletrônicos/plásticos (canetas), colaborar para proteger os coletores de resíduos, criar protocolos de logística reversa, além de atuar em outros temas que certamente serão apontados pelas autoridades, farmacêuticos, acadêmicos de Farmácia e público em geral”, destacou o deputado Jory Oeiras (Republicanos), que levou o debate ao plenário da Casa.

 

O parlamentar também informou sobre a Lei nº 1.899, de junho de 2015, de sua autoria, em conjunto com os farmacêuticos amapaenses, com apoio dos conselhos Federal e Regional de Farmácia, que instituiu a Semana Estadual do Uso Racional de Medicamentos, realizada anualmente no período de 5 a 11 de maio, com ações voltadas à conscientização sobre o uso racional de medicamentos e ao incentivo a estudos e experiências inovadoras na área.

 

Em sua palestra, o cirurgião bariátrico e metabólico Vinicius Reis abordou o tema da audiência pública, trazendo esclarecimentos sobre os riscos relacionados ao uso desses medicamentos, bem como sobre os impactos causados pelo descarte inadequado desses materiais na saúde pública e no meio ambiente.

 

 

O segundo palestrante, o conselheiro federal de Farmácia do Amapá, Carlos André Sena, abordou o tema “Canetas emagrecedoras: entre o tratamento e o risco à saúde pública”.

 

 

Na avaliação do conselheiro, o uso das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil atingiu proporções epidêmicas, caracterizadas pelo alto consumo e pelos sérios riscos à saúde, devido à busca desenfreada pela perda de peso sem acompanhamento médico.

 

Segundo dados recentes, o uso dessas canetas cresceu 88% em 2025, movimentando cerca de R$ 9 bilhões, enquanto mais da metade dos brasileiros já conhece esses medicamentos. Apesar disso, muita gente ainda não sabe como fazer o descarte correto. Esses produtos contêm plástico, vidro e agulha, o que exige cuidados específicos. O aumento no uso também traz a necessidade de ampliar a informação sobre como descartar corretamente esses materiais.

 

“Influenciadores e tutoriais online promovem o uso dessas canetas para ‘emagrecimento rápido’, vendendo-as sem regulamentação”, destacou Carlos André Sena, chamando atenção para os riscos dos produtos falsificados, que podem provocar infecções graves, hipoglicemia, náuseas, pancreatite, reações alérgicas, internações hospitalares e até risco de morte.

 

“Medicamentos sem origem comprovada representam grave ameaça à saúde”, alertou o conselheiro.

 

Segundo Carlos André Sena, o cenário se repete no Amapá. A crescente procura por canetas sem receita e a divulgação informal nas redes sociais, além da falta de informações sobre riscos e descarte inadequado no lixo doméstico, demonstram a necessidade urgente de educação em saúde, fiscalização e orientação farmacêutica.

 

O conselheiro também sugeriu a criação de uma lei estadual sobre logística reversa de medicamentos vencidos e das canetas medicamentosas nas farmácias e UBSs, destacando que o descarte correto é uma responsabilidade compartilhada que protege a saúde pública e o meio ambiente.

 

Entre os caminhos apontados para a solução estão a realização de campanhas educativas, fiscalização sanitária rigorosa, controle da venda irregular, combate à falsificação de medicamentos, ampliação da orientação profissional, criação de pontos de descarte adequados e educação nas redes sociais para desmistificar o uso estético e irresponsável desses produtos.

 

Ao final, os componentes da mesa de trabalhos — composta pelo deputado Jory Oeiras, presidente da audiência pública; pela presidente do Conselho Regional de Farmácia, Nádia Rosana Matos Soares; pelo conselheiro federal de Farmácia do Amapá, Carlos André Oeiras Sena; pelo presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Amapá, Otávio Eutíquio; pelo cirurgião bariátrico e metabólico e palestrante do dia, doutor Vinicius Reis; pela responsável técnica pelo Eixo Melhoria da Qualidade de Vida da Sejusp, major Priscilla Farias Ozela, que representou o secretário de Estado da Segurança Pública, Cézar Augusto Vieira; e por Gheysa Tarciana de Sousa Evaristo, representante da Secretaria Municipal de Saúde de Macapá — responderam aos questionamentos feitos por acadêmicos do curso de Enfermagem da Universidade Paulista, em Macapá (Unip), e do Instituto Macapaense do Melhor Ensino Superior (IMMES).

 

 

“A iniciativa reforça a necessidade de ampliar o diálogo e promover ações de conscientização sobre práticas seguras, responsabilidade coletiva e políticas preventivas. Saímos daqui com a consciência de que fizemos o nosso papel de alertar e tomar decisões concretas em relação a tudo o que foi debatido”, finalizou o deputado Jory Oeiras.

 



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