A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou, nesta segunda-feira (4), uma sessão solene em alusão ao Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março. A iniciativa partiu da mesa diretora da Casa e reuniu profissionais de saúde, gestores e representantes do Hospital do Rim, referência no atendimento a pacientes renais no estado.


Jarinne Nasserala representa o hospital e é uma das sumidades na área de cuidado dos rins/Foto: ContilNet
Instalado no Acre desde 2016, o Hospital do Rim iniciou as atividades com foco em nefrologia, hemodiálise, diálise peritoneal e consultas especializadas. Ao longo dos anos, ampliou os serviços e passou a contar com centros cirúrgicos, internação, laboratórios próprios e atendimento em diversas especialidades médicas. Atualmente, mantém duas unidades, em Rio Branco e Brasiléia.
Durante a solenidade, o médico residente Rafael Machado destacou a importância de dar visibilidade à realidade enfrentada pelos pacientes em tratamento renal. Segundo ele, a rotina da hemodiálise exige dedicação intensa e contínua.
“O paciente precisa comparecer três vezes por semana à unidade. Cada sessão dura em média três a quatro horas, mas o processo todo envolve preparação, acesso à máquina e recuperação. No total, ele pode ficar mais de 18 horas por semana vinculado ao tratamento. Além disso, muitos enfrentam outras doenças associadas, como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos”, afirmou.
Machado também chamou atenção para o impacto social e econômico do tratamento, que costuma exigir múltiplas medicações e acompanhamento constante. “É um tratamento oneroso e difícil. Por isso, é fundamental ampliar o olhar não só da sociedade, mas também dos gestores públicos”, disse.
A diretora técnica do Hospital do Rim, dra. Jarinne Nasserala, lembrou do o papel da campanha de conscientização e prevenção. Ela ressaltou que a doença renal crônica costuma evoluir de forma silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce.
“A solenidade busca chamar a atenção da população e dos deputados para a importância da prevenção. A melhor forma de evitar complicações é realizar exames regularmente e conhecer os fatores de risco”, afirmou.
Segundo ela, o hospital tem investido na ampliação dos serviços, tanto no tratamento quanto na prevenção. “Buscamos oferecer atendimento de excelência, com expansão das áreas de cirurgia e internação, além de fortalecer ações educativas, como a Semana do Rim, que já está na terceira edição”, destacou.
Em maio de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a doença renal como prioridade mundial em saúde pública. Com isso, a doença renal crônica passou a integrar o grupo das principais doenças crônicas não transmissíveis, ao lado das cardiovasculares, neoplasias, diabetes e doenças respiratórias crônicas. Para a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a medida amplia a visibilidade do problema e reforça a necessidade de investimentos em educação, prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.
No Acre, foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) no último mês, a lei de autoria do deputado estadual Afonso Fernandes (Solidariedade) que institui a Semana Estadual do Rim no calendário oficial do Acre. A norma foi sancionada pela vice-governadora Maílza Assis (PP) e estabelece que a mobilização ocorra anualmente na segunda semana de março, em alinhamento com o Dia Mundial do Rim.
A legislação define objetivos voltados à prevenção e ao diagnóstico precoce das doenças renais, como a conscientização da população, a difusão de informações sobre fatores de risco, sinais e sintomas e o estímulo ao rastreamento em grupos mais vulneráveis. O texto também destaca o papel da atenção primária à saúde como porta de entrada do cuidado e incentiva a articulação entre serviços estaduais, municipais e federais, incluindo unidades de nefrologia, diálise e transplante.
Durante a Semana Estadual do Rim, o Poder Executivo deverá promover campanhas educativas, mutirões de saúde, ações itinerantes em áreas rurais, ribeirinhas e indígenas, além de atividades de orientação em unidades especializadas. A lei também prevê parcerias com municípios, instituições de ensino, entidades da sociedade civil e organizações médicas.
Dados recentes do Ministério da Saúde apontam que milhões de brasileiros convivem com algum grau de doença renal crônica, muitas vezes sem diagnóstico. A condição está fortemente associada a fatores como diabetes e hipertensão, que seguem entre as principais causas de complicações renais no país. O avanço da doença pode levar à necessidade de terapias substitutivas, como a diálise ou o transplante.
O secretário de Estado de Saúde, José Bestene, afirmou que o governo pretende ampliar o acesso ao tratamento no Acre, especialmente fora da capital.
“O governo não vai se furtar de fortalecer esse atendimento. A proposta é discutir a ampliação dos serviços nas regionais, para que os pacientes possam ser assistidos mais próximos de suas famílias”, declarou.
A sessão também destacou a importância da parceria entre poder público e instituições de saúde para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, além de incentivar políticas de prevenção das doenças renais no estado.



