O avanço do garimpo ilegal na fronteira entre o Acre e o Peru tem aumentado a preocupação de autoridades e moradores da região amazônica. Áreas próximas ao rio Abujao, no departamento peruano de Ucayali, vêm sendo apontadas como rota de atuação de facções criminosas ligadas ao tráfico e à exploração clandestina de ouro. As informações estão em uma reportagem da Folha de S. Paulo.
A região faz divisa direta com o Acre e possui longos trechos de floresta com pouca fiscalização. Segundo investigadores peruanos, grupos criminosos passaram a investir no garimpo após a valorização do ouro nos últimos anos, tornando a atividade mais lucrativa e menos arriscada do que o tráfico de drogas.
De acordo com dados do Instituto Peruano de Economia, as exportações ilegais de ouro podem movimentar mais de US$ 12 bilhões no Peru. Especialistas afirmam que o metal facilita esquemas de lavagem de dinheiro e alimenta organizações criminosas que atuam nas áreas de fronteira da Amazônia.
Autoridades locais relatam que a presença do Comando Vermelho na região já vinha sendo identificada desde antes de 2020. Em uma operação realizada na área do Abujao, policiais chegaram a recuar após serem recebidos a tiros por garimpeiros armados.
Além da violência, moradores denunciam impactos sociais nas comunidades próximas à fronteira com o Acre. Há relatos de aumento da prostituição, tráfico de pessoas e circulação de armas em localidades antes consideradas isoladas.
Os danos ambientais também preocupam. Áreas de preservação, reservas indígenas e rios da região vêm sendo afetados pela mineração ilegal. Comunidades ribeirinhas afirmam que a qualidade da água e dos peixes piorou nos últimos anos, trazendo riscos à saúde da população.