Os motivos da PF e PGR para manter vice fora da Prefeitura de Macapá – SelesNafes.com


Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

O pedido da Polícia Federal ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que prorrogou o afastamento do vice-prefeito de Macapá, Mário Neto (Podemos), cita uma série de fatos que, segundo os investigadores, demonstram risco concreto de interferência nas apurações e até tentativa de destruição de provas. A representação policial sustentou que o retorno de Mário Neto ao cargo — especialmente com a possibilidade de assumir a Prefeitura — poderia comprometer de forma “grave e irreversível” o andamento das investigações.

Um dos principais pontos destacados pela PF envolve movimentações financeiras consideradas atípicas logo após o afastamento da cúpula da Prefeitura. Segundo a PF, foram identificados pagamentos que somam mais de R$ 3,3 milhões feitos poucas horas após a posse do prefeito interino Pedro Dalua (União) sem autorização dele.

Chave bancária usada pelo irmão logo após o afastamento do prefeito a pedido da PF

Os repasses, segundo a apuração, ocorreram com rapidez incomum, uso de chave bancária ligada a integrante da gestão afastada e ausência de controle administrativo regular. Para a PF, esse episódio pode indicar crimes como peculato, fraude em contratos públicos, desobediência à ordem judicial e até lavagem de dinheiro.

Indícios de destruição e ocultação de provas

Outro ponto central do pedido é o que a Polícia Federal descreve como um possível cenário de sabotagem administrativa após os afastamentos. Entre os fatos relatados estão a retirada de HDs de computadores do setor de licitações; invasão de setores estratégicos, como a Secretaria de Finanças; corte de cabos e queda de sistemas; dificuldades de acesso a e-mails e documentos oficiais; desaparecimento de processos físicos; vazamento de documentos sigilosos.

Ex-prefeito e vice investigados pela PF por desvios e fraudes

A PF explicou que a natureza seletiva dessas ações — especialmente a retirada de dispositivos de armazenamento — indica tentativa direta de eliminar provas ligadas ao esquema investigado.

“Apagão administrativo” e tentativa de desestabilização

A Polícia Federal também menciona a possibilidade de uma ação coordenada para desorganizar a gestão interina. Há relatos de exonerações em massa, paralisação de serviços, dificuldades operacionais em setores essenciais. Na avaliação dos investigadores, esses atos podem ter sido usados para criar um “apagão administrativo”, com dois objetivos: dificultar as investigações e desgastar politicamente a nova gestão.

Um dos argumentos mais fortes da PF é o poder de influência que Mário Neto teria caso retornasse ao cargo. Segundo o relatório, ele teria acesso direto a servidores públicos, sistemas internos, contratos e pagamentos, documentos físicos e digitais, possíveis testemunhas. Isso criaria um ambiente propício para manipulação de provas, intimidação de envolvidos, continuidade de práticas ilícitas.

Além disso, a PF destaca que o celular do próprio vice-prefeito segue bloqueado e ainda não foi totalmente periciado, o que reforça a necessidade de aprofundamento das diligências.

Investigações ainda em andamento

A Polícia Federal também argumenta que o prazo inicial de afastamento (60 dias) foi insuficiente. Entre os pontos pendentes estão análise de dados bancários e fiscais, extração de informações de celulares apreendidos, verificação dos novos fatos relatados pela Prefeitura, aprofundamento de possíveis novas frentes de investigação.





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