A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) localizou e inutilizou, no dia 28 de abril, uma aeronave usada por garimpeiros ilegais na Terra Indígena Yanomami (TIY). A ocorrência é resultado da interdição da pista de Lobo D’almada, realizada em março em combate ao garimpo em Roraima.
À época, os militares usaram aproximadamente 350 kg de explosivos distribuídos em oito pontos estratégicos. Com isso, houve a formação de crateras que inviabilizam o uso da pista. Contudo, os garimpeiros tentaram reconstruir parcialmente a estrutura. O que evidencia a dependência dessas áreas para sustentar a atividade ilegal. As condições precárias da pista, no entanto, teriam contribuído para o acidente com a aeronave.
A equipe encontrou oculto na mata um avião, modelo Cessna 182N Skylane, prefixo PR-FIP, avaliado em cerca de R$ 1,3 milhão. Ele estava nas proximidades da pista clandestina de Lobo D’Almada. A aeronave apresentava danos estruturais, como hélice avariada, assim como possível comprometimento do trem de pouso. Isso, após tentativa de aterrissagem em área anteriormente inutilizada.
Ação exclusiva do Comando Conjunto
A interdição de pistas clandestinas é uma capacidade específica e estratégica do Comando Conjunto Catrimani II no enfrentamento ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. No mês de abril, essa atuação resultou na inutilização de sete pistas no âmbito da Operação Xapiri, gerando um prejuízo estimado em R$ 14 milhões às estruturas logísticas da atividade criminosa. A ação atinge diretamente o principal vetor de sustentação do garimpo em áreas remotas — o transporte aéreo —, comprometendo o fluxo de suprimentos, equipamentos e a retirada do minério.
De acordo com o Exército, o caso da pista de Lobo D’Almada exemplifica de forma concreta esse impacto: após ter sido interditada anteriormente pelo Comando Conjunto, a tentativa de reutilização da área, em condições precárias, resultou na avaria da aeronave posteriormente localizada pela FUNAI. O episódio evidencia a relação direta entre a destruição das pistas e a degradação da capacidade operacional do garimpo ilegal.
Ação conjunta
A Operação Catrimani II é uma ação conjunta entre órgãos de Segurança Pública, Agências e Forças Armadas, em coordenação com a Casa de Governo no Estado de Roraima, em cumprimento à Portaria GM-MD N° 5.831, de 20 de dezembro de 2024, que visa agir de modo preventivo e repressivo contra o garimpo ilegal, os ilícitos transfronteiriços e os crimes ambientais na TIY.
Fonte: Da Redação