BRASÍLIA
Preocupado com a sua sucessão no comando do Senado, Alcolumbre tem dado sinais aos senadores oposicionistas
Alcolumbre sinaliza que pode pautar impeachment de ministros do STF (Foto: Agência Senado)
Reportagem publicada pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, informa que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou à oposição que está disposto a colocar em pauta pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja reeleito para o comando da Casa. A promessa é a de incluir o assunto na pauta em 2027.
A coluna informa que a oposição garantiu apoio à postulação de Alcolumbre, mas alguns integrantes do PL ainda estão reticentes. Eles dizem, nos bastidores, que só podem confiar na palavra do presidente do Senado quando um impeachment, de fato, for aberto. Por isso, fazem pressão para que isso aconteça ainda neste ano.
Essa ala ainda defende que o próximo presidente do Senado seja bolsonarista. Hoje, o mais cotado é o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

Traições para derrubar Messias
Além da atuação de Alcolumbre, colaboradores do presidente apontam a participação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em um “conluio”, nas palavras de um deles, para impedir a nomeação de Messias.
Articuladores do governo relatam que o acordo entre o grupo de Moraes e Alcolumbre teria sido selado durante um jantar na noite de terça-feira (28), na residência oficial do presidente do Senado, com o intuito de evitar nova correlação de forças na corte.
Após a publicação da reportagem, Moraes enviou nota para dizer que não participou do jantar e que, naquela noite, estava em casa com um grupo de pessoas, entre eles, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ex-ministro Ricardo Lewandowski, em uma homenagem ao ex-secretário nacional de segurança pública, Mário Sarrubo.

Ao manifestar simpatia pela adoção de um código de ética no tribunal, como deseja o presidente do STF, Edson Fachin, Messias teria contrariado o grupo de ministros crítico à iniciativa.
Pacheco era o escolhido de Alcolumbre para pleitear a vaga no Supremo, enquanto Lula reiterava a intenção de ter o senador como seu candidato ao Governo de Minas Gerais, em busca de um palanque forte no estado. Lula acabou por indicar Messias após conversas com os envolvidos, mas ainda a contragosto do chefe do Senado.
Entre aliados de Lula, suspeitas recaem sobre o ex-ministro dos Transportes Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, ambos do MDB de Alagoas. A desconfiança é que teriam votado contra a indicação de Messias em solidariedade a Bruno Dantas, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cobiçava a vaga do tribunal.
Aliados do presidente apostam na exoneração de indicados de Alcolumbre, como os ministros Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações). Segundo participantes da reunião, Lula mostrava serenidade, enquanto buscava confortar Messias.