Silenciosa e muitas vezes negligenciada, a hipertensão arterial continua sendo o principal fator de risco para as duas causas que mais matam no Brasil: o infarto e o Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Em 2025, o Brasil registrou 346.306 óbitos decorrentes de eventos cardiovasculares (infarto, AVC e insuficiência cardíaca), segundo dados da Organização Nacional de Acreditação (ONA) baseados no DATASUS. No Maranhão, o cenário é igualmente preocupante, com 11.189 mortes registradas no mesmo período.
A hipertensão é classificada como “silenciosa” por raramente apresentar sintomas. Segundo o cardiologista Dr. Paulo Meirelles, membro da ONA, a doença pode causar lesões progressivas no coração e no cérebro antes mesmo do paciente suspeitar do problema.
“Infelizmente, muitos recebem o diagnóstico apenas após um evento grave. A identificação precoce é a estratégia mais eficaz para reduzir mortes evitáveis”, alerta o especialista.
As novas diretrizes de 2025 indicam que níveis acima de 120 por 80 mmHg já exigem atenção, pois estão associados ao aumento do risco cardiovascular, mesmo em indivíduos aparentemente saudáveis.
AVC e Infarto: sinais que salvam vidas
O tempo é o fator determinante para evitar sequelas irreversíveis ou óbito. Confira os principais alertas:
Como reconhecer um AVC (Escala de Cincinnati):
- Sorriso: Peça para a pessoa sorrir. Observe se há assimetria na face.
- Abraço: Peça para levantar os braços. Verifique se há perda de força em um dos lados.
- Fala: Note se a fala está enrolada ou se a pessoa tem dificuldade de compreensão.
- Outros sinais: Perda de equilíbrio, alteração na visão e dor de cabeça súbita e intensa.
Sintomas de Infarto:
- Dor ou pressão no peito (pode irradiar para braço, mandíbula ou costas).
- Falta de ar e suor frio.
- Náuseas, tontura e desconfortos abdominais (muitas vezes confundidos com problemas digestivos).
Falhas graves no atendimento
O relatório da ONA aponta que muitas mortes poderiam ser evitadas se não fossem as falhas no sistema de saúde, tais como:
- Diagnóstico tardio: Confusão dos sintomas de AVC com enxaqueca ou vertigem.
- Atraso em exames: Demora na realização de tomografias.
- Janela terapêutica: Perda do tempo ideal para o uso de medicamentos que dissolvem coágulos.
- Pós-alta deficiente: Falta de planos de reabilitação e investigação da causa raiz, o que aumenta o risco de novos episódios.
Para combater esse cenário, a adoção de protocolos rígidos de qualidade — como os modelos de acreditação da ONA — tem se mostrado vital. Instituições acreditadas operam com monitoramento eficiente e maior integração entre equipes, o que garante decisões baseadas em evidências e rapidez no atendimento crítico.
“Quando falamos de coração e cérebro, cada minuto conta. Serviços organizados salvam vidas”, conclui o Dr. Paulo Meirelles.
Resumo dos Dados (2025)
| Localidade | Infarto | AVC | Insuficiência Cardíaca | Total |
| Brasil | 177.810 | 104.363 | 64.133 | 346.306 |
| Maranhão | 5.626 | 3.800 | 1.763 |