Influência do El Niño pode prolongar período de seca no Acre até o final do ano, alertam especialistas
O cenário de alerta para uma seca severa volta a mobilizar as autoridades do Acre em 2026. Após as crises históricas registradas em 2023 e 2024, o estado se antecipa para enfrentar o risco de uma nova emergência ambiental no segundo semestre. Nesta sexta-feira, 25, a Defesa Civil do Estado reuniu especialistas em meio ambiente e pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac) para validar o monitoramento climático e alinhar o plano de resposta.
O diagnóstico técnico aponta que a transição climática para um fenômeno El Niño intenso pode estender o período de estiagem para além do esperado, agravando o estresse hídrico na região.
Segundo o professor e pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), Foster Brown, o monitoramento indica que o clima está saindo de uma fase neutra para a influência direta do El Niño. A maior preocupação da comunidade científica reside na duração da seca.
Especialistas avaliam o cenário climático no Acre (Foto: Maria Meirelles)
“Segundo as informações que temos, estamos em um período de transição, indo de La Niña, agora parte neutra, indo para a questão de El Niño, que é o processo natural que acontece. Foi previsto que teria mais chuvas. A preocupação que nós temos, está indo para El Niño, é que a tendência é que o período da seca pode se prolongar. Se isso acontecer, vai fazer mais estresse hídrico, ou, em outras palavras, pode faltar água, mas no período de setembro, outubro, novembro e dezembro”, explicou Brown.
Preparação antecipada e monitoramento
Diante da previsão de que os níveis dos rios atinjam patamares críticos, o Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil do Acre já está em operação. O coordenador do órgão, coronel Carlos Batista, enfatizou que o governo busca mitigar os danos com base nas lições aprendidas nos anos anteriores.
“Todos os estudos mostram que a gente vai ter aí um El Niño mais forte, mais para frente, talvez se estenda ali para o mês de outubro, novembro, e para isso a Defesa Civil Estadual do Acre já está se preparando. Todo o sistema estadual de proteção e defesa civil que compreende todas as instituições, todos os órgãos do governo do Estado, a gente já está se preparando para um eventual desastre de uma seca extrema semelhante que aconteceu em 2023, ali em 2024”, afirmou o coronel.
Batista destacou que, mesmo com a presença de chuvas neste final de abril, o trabalho de campo já começou. “Nós temos agentes de Defesa Civil que estão andando em todos os municípios do interior do Estado, já orientando sobre uma provável seca mais severa a partir do mês de maio para que eles se preparem também dentro das estruturas municipais”, completou.
Impactos na saúde, economia e abastecimento
A antecipação das medidas governamentais visa frear uma sequência de prejuízos que costuma acompanhar as secas extremas no Acre, cenário este que o coronel Carlos Batista classifica como um complexo quadro de danos. Entre as principais preocupações estão o aumento dos incêndios florestais, que eleva a poluição do ar e provoca surtos de doenças respiratórias, e os impactos severos na produção rural, afetando diretamente a pecuária e a agricultura pela escassez de pasto e água. Diante desse panorama, o risco de desabastecimento humano é tratado como a prioridade zero dentro do plano de contingência estadual.
Sobre a infraestrutura hídrica, o coronel ressaltou os investimentos da Saneacre. “O governo do Estado já se preparou porque os eventos ocorreram muito extremos em 2023, 2024, então a Saneacre já tem toda uma expertise, melhorou seu sistema de captação de água no interior do estado, para que a gente venha reduzir e muito aí os impactos caso ocorra aí níveis de rios muito baixos nesse período agora de 2026”, concluiu.
O governo manterá o acompanhamento diário das bacias hidrográficas, intensificando as ações de prevenção conforme o estado entra no período de vazante. Paralelamente, a Defesa Civil tem buscado parcerias para modernizar o seu sistema de monitoramento de eventos exetremos.