Brasília – O debate sobre a exploração de minerais estratégicos no Brasil ganhou novos contornos após troca de críticas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. O embate gira em torno de um acordo firmado pelo estado goiano com representantes do governo dos Estados Unidos para cooperação na área de terras raras.

(Foto:Lula Marques/Agência Brasil)
Lula questionou a iniciativa e afirmou que lideranças políticas estariam favorecendo interesses estrangeiros em recursos considerados estratégicos.
“Flávio quer vender para os EUA uma coisa tão importante quanto petróleo”, disse o presidente, citando também Caiado. “É uma vergonha, inclusive, o que o Caiado fez em Goiás. O Caiado fez um acordo com uma empresa americana, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União.”
A resposta de Caiado veio em tom crítico. “Quem está vendendo é ele. É ele que está entregando tudo, ele não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil e nós estamos continuando a vender pau-brasil desde a época da colônia, vendendo nióbio e terras raras pesadas”, afirmou o ex-governador.
Segundo Caiado, o objetivo do acordo é ampliar a capacidade tecnológica no estado e agregar valor à produção mineral. “Ao invés de exportar apenas o mineral concentrado, eu vou poder, em Goiás, desenvolver a tecnologia capaz de separar os minerais”, explicou.
Ele também destacou o potencial econômico do beneficiamento: “Se eu, amanhã, tiver uma tonelada de terras pesadas, o valor é mínimo. Se eu puder vender amanhã 20 g de térbio ou de disprósio, eu vou enriquecer o meu estado”.
O acordo foi firmado em março e envolve cooperação para exploração e processamento de minerais críticos, usados em tecnologias como motores elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e sistemas de armazenamento de dados. Goiás abriga a única mineradora de terras raras em operação no país, que atualmente exporta sua produção para o exterior.