Brasil projeta ampliar comércio com a ASEAN e defende inclusão de bens manufaturados na pauta exportadora

Da Redação

Brasília – O governo dos Estados Unidos poderá divulgar nos próximos dias os resultados de duas investigações abertas contra o Brasil pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR , na sigla em inglês) sob a acusação de práticas desleais de comércio e de suposto uso de trabalho forçado na produção de itens exportados pelo Brasil. Caso o USTR julgue que há irregularidades, os Estados Unidos terão aval para ampliar sua retaliação ao Brasil, com imposição de tarifas extras, restrições à importação, suspensão de benefícios comerciais, entre outras medidas.

Nesse contexto desafiador, o governo brasileiro procura se antecipar a novas sanções americanas e busca reforçar as relações com tradicionais parceiros comerciais do Brasil, ao mesmo tempo em que procura explorar importantes oportunidades de parcerias comerciais com blocos de países como a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Uma maior aproximação com o bloco integrado por Singapura, Vietnã, Indonésia, Tailândia, Malásia, Filipinas, Mianmar, Camboja, Brunei e Laos é defendida pelo alto escalão do governo brasileiro e também pelas grandes companhias responsáveis pelo fluxo das exportações para os países do bloco. A ASEAN é hoje o quarto maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, União Europeia (com seus 27 estados-membros) e Estados Unidos.

Para o Brasil, é importante ampliar as relações comerciais e também a atração de investimentos com o bloco, explorando as complementaridades das suas economias e, também, deve-se buscar uma maior diversificação da pauta exportadora brasileira, fortemente concentrada em commodities agrícolas e minerais.

De janeiro a março deste ano, as exportações para a ASEAN somaram US$ 5,3 bilhões (queda de 1,8% comparativamente com o mesmo período de 2025) e corresponderam a 6,4% das vendas externas brasileiras. Por outro lado, as importações dos países asiáticos foram da ordem de US$ 3,0 bilhões (alta de 6,9%). A corrente de comércio (exportação+importação) totalizou US$ 8,3 bilhões e o intercâmbio gerou para o Brasil um superávit de US$ 2,3 bilhões.

Desequilíbrio nas pautas exportadoras

Além de aumentar o fluxo do comércio bilateral, aproveitando as complementaridades das economias brasileira e asiática, o governo brasileiro defende uma maior diversificação dos produtos embarcados para o bloco asiático. Produtos como aviões da Embraer e outros bens fabricados pelos setores mais avançados da indústria brasileira deveriam, na perspectiva de especialistas do MDIC, ser incorporados à pauta exportadora para esses países.

Enquanto essa mudança sequer é esboçada, as vendas para o bloco nos três primeiros meses deste ano se restringiram a produtos de baixo valor agregado. São eles: óleos combustíveis: US$ 882 milhões (participação de 15,8% no total embarcado); farelo de soja e outros alimentos para animais: US$ 792 milhões (participação de 15,0%); milho não moído: US$ 399 milhões (participação de 7,0%); minério de ferro: US$ 347 milhões (participação de 6,6%); e carne suína: US$ 352 milhões (participação de 6,1%).

Por outro lado, as exportações dos países da ASEAN para o Brasil envolvem apenas bens industrializados, de alto valor agregado e fundamentais para o desenvolvimento de uma economia como a brasileira. Os cinco principais produtos embarcados pelo bloco asiático para o Brasil foram equipamentos de telecomunicações (US$ 298 milhões); válvulas e tubos termiônicas (US$ 297 milhões); pneus de borracha (US$ 203 milhões); gorduras e óleos vegetais (US$ 150 milhões); e calçados (US$ 129 milhões).

Exportação e importação por países

Dados da Secex/MDIC mostram o Vietnã como principal parceiro comercial do Brasil na ASEAN, consideradas exportações e importações. Sob o prisma das exportações brasileiras, os valores e participação nas vendas do Brasil são os seguintes: Singapura: US$ 1,5 bilhão e participação de 28,0%; Vietnã: US$ 1,1 bilhão e participação de 20,0%; Indonésia: US$ 789 milhões e participação de 14,9%; Tailândia: US$ 708 milhões e participação de 13,4%; Malásia: US$ 622 milhões e participação de 11,8%; Filipinas: US$ 554 milhões e participação de  10,5%; Mianmar: US$ 68 milhões e participação de 1,3%; Camboja: US$ 9 milhões e participação de 0,2%; e Laos: US$ 4 milhões e participação de 0,1%.

Com exportações no total de US$ 1,1 bilhão, correspondentes a 34,8% dos embarques totais pelos países da ASEAN para o Brasil, o Vietnã foi o país que mais exportou para o Brasil nos três primeiros meses do ano. A seguir vieram a Tailândia (617 milhões); Indonésia (US$ 581 milhões); Malásia US$ 413 milhões; Singapura US$ 216 milhões; Filipinas US$ 81 milhões; Camboja US$ 65 milhões; Laos US$ 3,5 milhões e Mianmar US$ 3 milhões.

 

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