Venezuela – Equipes de resgate e ajuda humanitária estrangeiras começaram a desembarcar na Venezuela nesta sexta-feira (26), cerca de 48 horas após dois terremotos devastadores atingirem a capital, Caracas, e regiões vizinhas. Os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 que figuram entre os maiores já registrados na história moderna da América Latina ocorreram na noite de quarta-feira (24), durante um feriado nacional, com epicentro a 160 km a oeste da capital.

(Foto: Reprodução Rede X)
O balanço oficial aponta, até o momento, 920 mortes confirmadas e 3.360 feridos. O governo estima que centenas de pessoas continuem presas nos escombros, enquanto um site criado para reportar desaparecidos já contabiliza 50 mil nomes. O Serviço Geológico dos Estados Unidos projeta que o total de vítimas fatais possa passar de 10 mil.
A destruição de infraestrutura agravou a crise no país, que já sofria com o colapso econômico e político crônico. Bombeiros, soldados e voluntários vasculham as ruínas de prédios desabados no escuro, devido à falta de energia, muitas vezes usando as próprias mãos e tochas.
Pelo menos 250 edifícios foram completamente destruídos ou gravemente danificados, incluindo oito hospitais, a sede da Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França.
Nas encostas de Caracas, onde ficam as favelas conhecidas como barrios, o cenário é alarmante. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que até 7 milhões de pessoas tenham sido afetadas, e foca na distribuição de abrigos de emergência e suprimentos.
“Meu prédio está inabitável e agora não tenho mais nada. Somos só eu e meu filho, e não tenho família no país”, desabafou Suhayl Sarquiz, de 50 anos.
O estado litorâneo de La Guaira, vizinho a Caracas e onde opera o principal aeroporto do país, foi um dos mais castigados. Voluntários cruzam as rodovias para levar água, remédios e alimentos aos desabrigados que agora dormem nas ruas.
Perto do epicentro, na cidade litorânea de Morón (estado de Carabobo), bairros inteiros colapsaram, deixando a população sem acesso a água potável ou eletricidade. Moradores tentam salvar itens básicos em meio aos escombros de suas casas.
A tragédia ocorre em meio a um momento de profunda transição política na Venezuela. A presidente interina, Delcy Rodríguez — que assumiu o comando do país após a detenção de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em janeiro deste ano —, prometeu mobilização total de assistência às vítimas.
O desastre mobilizou uma rara união diplomática. Nações de todo o mundo, inclusive potências que historicamente mantinham o país sob isolamento e sanções econômicas, prometeram suporte imediato. Em pronunciamento, Delcy Rodríguez agradeceu diretamente ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao presidente russo, Vladimir Putin, pelo envio de socorro e esforços humanitários.