O cultivo de hortaliças e a criação de aves têm transformado a rotina dos alunos da Escola Municipal Indígena Ko’ko Carmelita Macuxi, na comunidade indígena Pedra Branca, no município de Uiramutã. Mais do que complementar a alimentação escolar, as iniciativas passaram a integrar o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes.
A iniciativa é coordenada pelo professor José Oscar da Silva Leal e busca fortalecer a qualidade da alimentação oferecida aos estudantes, além de integrar os conteúdos pedagógicos às atividades do cotidiano escolar. Parte da produção já é utilizada para complementar a merenda.
“Plantamos cebolinha, cenoura, gengibre e melancia. Já realizamos a primeira colheita deste ano e agora vamos iniciar o cultivo de plantas medicinais. É importante que os alunos compreendam, na prática, a importância da convivência harmoniosa com o meio ambiente”, destacou o professor.
O espaço funciona como uma sala de aula ao ar livre, onde estudantes do 1º e 2º ano do ensino fundamental participam do cultivo de hortaliças, legumes e frutas, ao mesmo tempo em que aprendem sobre produção sustentável, conservação da natureza e valorização dos conhecimentos tradicionais indígenas.
Segundo José Oscar, a implantação do projeto contou com o apoio das famílias da comunidade. No início, a escassez de água representou um desafio para o desenvolvimento da horta, mas a situação foi superada com a implantação de um sistema de irrigação. Atualmente, a escola trabalha na construção de um galinheiro para ampliar as atividades.
Neste ano, a Escola Municipal Indígena Ko’ko Carmelita Macuxi atende 71 alunos da educação infantil e do ensino fundamental I. A comunidade Pedra Branca reúne mais de 700 indígenas e está localizada a cerca de 34 quilômetros da sede do município, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
“Estamos melhorando o cardápio da merenda escolar com a produção de frutas e hortaliças cultivadas pelos próprios alunos. As aulas práticas já fazem parte da nossa grade curricular”, ressaltou o professor.
Segurança alimentar


A implantação da horta, conforme divulgação, fortalece a segurança alimentar da comunidade ao incentivar o cultivo diversificado de hortaliças, legumes, frutas e plantas medicinais. Além de contribuir para a melhoria nutricional dos estudantes, a iniciativa promove a integração entre saberes ancestrais e técnicas de cultivo utilizadas atualmente, estimulando a autonomia alimentar das famílias indígenas.