Desde 2024, pais, alunos e membros da comunidade escolar vêm denunciando possíveis irregularidades na Escola Estadual Santa Catarina, localizada na zona rural do município de Cantá. As reclamações teriam sido encaminhadas à Secretaria de Estadual de Educação e Desporto (SEED) e ao Ministério Público, mas, segundo os relatos, até o momento não houve retorno efetivo nem a adoção de medidas concretas.
Ainda em 2024, um abaixo-assinado reuniu 35 assinaturas de pais e alunos maiores de 18 anos matriculados na unidade. À época, foi informado que seria necessário atingir ao menos 50% da comunidade escolar. Mesmo com o número reduzido de estudantes no ensino médio, o documento foi protocolado junto à SEED, com registro formal de recebimento. Posteriormente, o material também foi encaminhado ao Ministério Público.
Entre os principais problemas apontados estão a falta de professores, dificuldades no transporte escolar e a limitação da participação de parte dos pais nas reuniões. De acordo com os relatos, o transporte não atenderia moradores das vicinais, o que impediria a presença de muitos responsáveis nas decisões escolares.
Também há queixas relacionadas à merenda escolar. Segundo a denúncia, parte dos alimentos destinados aos alunos estaria sendo preparada para professores, e o excedente seria levado para fora da escola.
Um dos episódios considerados mais graves envolve um aluno que sofreu fratura na perna dentro da quadra da escola. No momento do acidente, conforme os relatos, não havia professor, assistente de alunos ou outro responsável acompanhando a turma.
A denúncia também levanta questionamentos sobre a autenticidade de documentos. Há registros fotográficos que, segundo o denunciante, indicariam assinaturas feitas em nome de terceiros. Entre os exemplos citados, está um certificado com assinatura atribuída à secretária escolar que já não ocupava o cargo na data de emissão. Em outro caso, uma folha de ponto apresentaria assinatura que não teria sido feita pelo professor identificado.






Outro episódio relatado envolve a apresentação de um assistente de alunos como suposto fiscal da SEED, situação que teria causado constrangimento e intimidação a membros da comunidade.
Os problemas, segundo a denúncia, continuam em 2026. Atualmente, a escola estaria sem professor de Ciências/Biologia e sem professor de Inglês, o que impacta diretamente o ensino. Também há questionamentos sobre a presença da coordenação escolar, que, conforme os relatos, não permaneceria na unidade durante toda a semana.
Diante da ausência de respostas oficiais, a comunidade decidiu recorrer à reportagem da Folhabv para dar visibilidade às denúncias e solicitar a apuração dos fatos pelos órgãos competentes.
Os denunciantes pedem que suas identidades sejam preservadas, alegando receio de possíveis represálias.
Até o fechamento desta matéria não houve manifestação oficial nem da gestão escolar e nem da Secretaria Estadual de Educação e Desportos de Roraima.