O que os produtores ganham aderindo aos protocolos da “soja sustentável”?


O Brasil é classificado como um país estratégico nos debates sobre “agricultura regenerativa”. Isso explica a atuação de Organizações Não Governamentais, como o Imaflora, que realizou um qualificado fórum de debates sobre a produção da “soja sustentável”. O encontro teve representações importantes, como as fundações Fundepag e Jacobs Futura; as empresas de consultoria Agritierra, Alauda e também teve apoio do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre.

O que eles vieram propor? Vieram propor mudanças na forma de produzir soja. Eles propõem isso por quê? Não há uma resposta. E não há respostas simples. De uma maneira geral, é preciso lembrar que o Acre integra uma região que passou-se a se chamar de Amacro. Essa região, composta pelos estados do Amazonas, Acre e Rondônia é compreendida como uma área de expansão da fronteira agrícola do país.

E quando se fala isso, é preciso observar essa “fronteira agrícola” com foco, sobretudo, na agricultura empresarial. O agricultor de base familiar, geralmente, não está na equação. O foco dos grupos que organizaram esse fórum é fazer com que o Acre invista capital e política pública nessa forma de produção de soja, que tem a sustentabilidade ambiental como principal referência.

No Acre, há fatores que dificultam menos a meta do Imaflora: a área plantada ainda muito pequena (não chega a 25 mil hectares) e o reduzido número de produtores com capital suficiente para investir nesta cultura. Se a soja no Acre tem área muito reduzida e pouca gente plantando, qual a dificuldade de se implementar a mudança? A principal dificuldade é política.

Um comentário de uma leitora do ac24agro nas redes sociais dá o tom do clima entre produtores e ambientalistas por aqui. “Soja regenerativa só merece esse nome se vier com rastreabilidade, desmatamento zero, recuperação real do solo, proteção da água, respeito aos territórios e redução comprovada de impactos. Fora disso, é só a velha monocultura tentando vestir roupa nova de ‘sustentabilidade’. Na Amazônia, a régua precisa ser muito mais alta”.

A fala do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), Assuero Doca Veronez, sugere alguma resistência. “Nós estamos ouvindo especialistas de outras regiões e de entidades de pesquisa trazendo o que avançou nessa questão e o que é possível para o produtor de soja aquilo que é factível”, afirmou.

Uma estratégia que o Imaflora e os parceiros podem utilizar é provar a sustentabilidade econômica da mudança. Esse é o único fator avaliado com seriedade pelo produtor. Resolvido esse desafio, a fase de transição e a adesão definitiva aos protocolos serão automatizados.



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