Flávio Bolsonaro veste blusa sobre a Amazônia após atrito por tarifas de Trump

Investigação dos Estados Unidos que cita o Pix vira combustível para embate/ Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou uma estratégia de forte apelo visual e nacionalista durante o cumprimento de agendas políticas em Belém, no Pará, nesta quinta-feira (11). O parlamentar escolheu vestir uma camisa estampada com a frase “A Amazônia é nossa”, em um movimento que ocorre em meio ao acirramento das tensões diplomáticas e comerciais disparadas pelas novas tarifas alfandegárias propostas pelo governo dos Estados Unidos contra as exportações do Brasil.

O uso político de jargões soberanistas e de símbolos da pátria converteu-se no mais novo capítulo da pré-campanha ao Palácio do Planalto. O congressista e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vêm travando um embate direto de narrativas, no qual trocam acusações mútuas sobre quem deve ser responsabilizado politicamente pelas barreiras comerciais impostas por Washington. Entre os argumentos americanos para justificar o cerco e as taxas a produtos brasileiros, estão investigações que miram o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, o Pix.

A crise atual em torno do protecionismo norte-americano reedita um roteiro já conhecido pela diplomacia de Brasília. Em setembro de 2025, o presidente Donald Trump já havia anunciado um primeiro tarifaço contra o mercado brasileiro, episódio que, na época, chegou a ser celebrado de forma reservada por parlamentares da ala conservadora como um desgaste para a gestão petista.

O cenário econômico atual, contudo, passou a ser explorado por governistas para desgastar a imagem dos aliados de Jair Bolsonaro:

  • Fator Casa Branca: Setores da esquerda associam a aplicação das novas alíquotas à influência da própria família Bolsonaro, apontando que o anúncio das sanções econômicas foi chancelado logo após Flávio Bolsonaro ter sido recebido por Donald Trump em audiência oficial na Casa Branca;

  • Retórica defensiva: Para contra-atacar a tese de que estaria agindo contra os interesses do próprio país no exterior, o senador passou a adotar discursos e vestimentas de caráter patriótico em suas viagens à Região Norte, tentando blindar-se das críticas;

  • O fator Pix: Enquanto a oposição culpa a condução da política externa de Lula pelo isolamento comercial, o governo federal argumenta que os Estados Unidos utilizam critérios regulatórios arbitrários sobre o ecossistema financeiro nacional para blindar a própria indústria.

O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores avaliam os impactos das medidas no balanço comercial, enquanto o STF e o Congresso Nacional viraram caixas de ressonância da polarização partidária alimentada pelas decisões vindas de Washington.

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