Delegado Rick da Silva e Silva é denunciado pelo MPRR



O Ministério Público de Roraima (MPRR) denunciou o delegado da Polícia Civil Rick da Silva e Silva pelos crimes de constrangimento ilegal, falsidade ideológica, prevaricação e abuso de autoridade. A denúncia foi protocolada nesta terça-feira (10) pela Promotoria de Justiça de São Luiz do Anauá e encaminhada à Vara Criminal da comarca.

De acordo com o documento, os fatos ocorreram em 25 de julho de 2025 e tiveram origem na apuração de um suposto desvio de mercadorias em uma loja, localizada em Caroebe. Conforme a denúncia, Rick teria se apresentado como autoridade policial e conduzido o gerente do estabelecimento até a delegacia de São João da Baliza sem situação de flagrante delito ou ordem judicial.

Segundo o Ministério Público, o delegado teria agido para atender interesses pessoais relacionados à proprietária da loja, identificada como sua sogra. A acusação sustenta que ele realizou atos típicos da função policial fora de sua circunscrição e sem respaldo legal com o objetivo de proteger o patrimônio da familiar.

A denúncia descreve que, um dia antes da ocorrência, Rick teria solicitado apoio de uma viatura e de um agente policial ao delegado responsável pela unidade de São João da Baliza. O pedido, no entanto, foi negado após ele informar que não havia flagrante nem procedimento policial em andamento.

No dia seguinte, acompanhado da sogra e de um gerente das lojas do grupo, Rick teria ido até o estabelecimento em Caroebe. Conforme a investigação, ele questionou o gerente sobre o desaparecimento de produtos avaliados em cerca de R$ 45 mil, elevou o tom de voz e afirmou que iria “ferrar” o funcionário antes de levá-lo à delegacia.

Ainda segundo o Ministério Público, já na unidade policial, o delegado teria informado falsamente a servidores que o responsável pela delegacia tinha conhecimento da ocorrência. O documento relata que o gerente ameaçado recebeu ordem para não deixar o local e foi alvo de ofensas verbais durante o procedimento.

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A acusação também aponta que Rick inseriu informações falsas em documentos públicos ao registrar o nome de outro delegado como responsável pelos atos praticados. Além disso, teria se apropriado do celular do gerente e enviado mensagens a terceiros se passando por ele para obter informações relacionadas à investigação.

O caso chegou ao conhecimento do delegado titular da unidade após um agente da Polícia Civil comunicar a situação considerada atípica. Ao comparecer à delegacia, o responsável constatou a realização de oitivas e o registro da ocorrência sem seu conhecimento prévio, determinando o cancelamento das peças produzidas e a redesignação dos procedimentos.

Na denúncia, o Ministério Público requer o recebimento da ação penal, a citação do acusado e a realização de audiência para ouvir a vítima e as testemunhas arroladas, além do interrogatório do denunciado. O órgão também pede a fixação de valor mínimo para reparação dos danos eventualmente reconhecidos pela Justiça.

Outros caso

Rick é citado em outras investigações no Estado. Em abril deste ano, ele foi preso durante a Operação Conluio, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Roraima. Na ocasião, a apuração apontou suspeitas de fraude processual em diferentes investigações, incluindo um inquérito relacionado à morte do empresário Edgar Silva Pereira e da esposa Rossana de Lima e Silva, encontrados carbonizados dentro de um veículo em uma vicinal de Rorainópolis.

Segundo as investigações da Operação Conluio, o delegado é suspeito de manipular ou produzir elementos com o objetivo de influenciar conclusões de procedimentos policiais.



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