Preço do quilo da alcatra sobe mais de 22% em supermercados de Rio Branco — Foto: Reprodução
O bolso do consumidor de Rio Branco voltou a sofrer com o encarecimento dos cortes de carne vermelha. Um monitoramento de preços estruturado pelo Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Economia da Universidade Federal do Acre (Ufac) revelou novas altas expressivas no mercado varejista da capital acreana. A pesquisa, cujos dados foram coletados em campo, detectou que as principais remarcações de preço concentraram-se nas gôndolas dos supermercados de grande porte.
O principal vilão do mês foi a alcatra, que registrou uma alta de 22,77% no preço médio cobrado nos supermercados. O fígado bovino pegou carona na tendência inflacionária e subiu 20,96% no mesmo tipo de estabelecimento.
A inflação da carne também rompeu as fronteiras dos grandes centros de compras e atingiu o comércio tradicional de bairro. Nos açougues locais, cortes populares como o acém e a agulha sofreram elevações de 7,85% e 5,62%, respectivamente, encarecendo o prato básico da população.
O relatório da Ufac evidencia que as opções de cortes nobres seguem inacessíveis para boa parte das famílias locais, mantendo patamares de preço consolidados no topo da pirâmide de consumo. Nos supermercados de Rio Branco, o quilo da picanha atingiu o valor médio de R$ 71,38, enquanto o filé-mignon superou a barreira simbólica dos R$ 71,00 por quilo.
Os pesquisadores do PET Economia chamam a atenção para uma disparidade comercial recorrente: os estabelecimentos de grande porte têm praticado valores superiores aos dos açougues para produtos idênticos. O patinho serve de exemplo para essa distorção de mercado:
Preço nos açougues: O quilo apresenta valor médio de R$ 36,40;
Preço nos supermercados: O custo médio do mesmo corte sobe para R$ 40,37.
Apesar do panorama geral de alta que pressiona o orçamento doméstico, o monitoramento de balanço identificou deflações e recuos pontuais. Em pontos comerciais específicos da capital, houve registro de quedas isoladas nos preços da picanha e do filé, o que indica a necessidade de o consumidor intensificar a pesquisa antes de efetuar a compra.
O projeto de acompanhamento mensal liderado pelo corpo docente e discente da Ufac tem como finalidade mapear o comportamento dos custos de itens essenciais na Amazônia Ocidental, servindo de ferramenta estatística para balizar o planejamento financeiro e o poder de compra dos cidadãos acreanos perante a flutuação do mercado de commodities.