Aquarela amazônica e identidade do Norte marcam trajetória internacional da artista Tafinis Said


A artista visual Tafinis Said vem se consolidando como um dos nomes da nova geração de artistas da região Norte do Brasil. Com uma produção marcada pela delicadeza da aquarela, a artista desenvolve uma pesquisa centrada nas cores, transparências e sensibilidade do olhar, explorando temas como o feminino, a natureza amazônica e a identidade cultural de Roraima.

Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e em Design de Interiores pela Universidade da Amazônia (UNAMA), Tafinis também é mestre em Comunicação pela UFRR. Sua trajetória acadêmica inclui ainda pós-graduação em Educação Musical pelo Instituto Federal do Amazonas (IFAM) e em Política e Sociedade pela Faculdade de Educação São Luís, demonstrando um percurso multidisciplinar que se reflete diretamente em sua produção artística.

Formação, primeiras experiências e o despertar para a aquarela

O primeiro contato com a aquarela ocorreu ainda na juventude, por volta dos 18 anos, no Laboratório de Pintura da UFRR. Segundo a artista, o encontro com a técnica foi decisivo para sua trajetória.

“Foi ali que conheci a técnica pela primeira vez e me apaixonei. Fiquei encantada ao perceber como um pigmento diluído em água podia se expandir e criar algo tão delicado e expressivo”, relembra.

A partir dessa experiência, Tafinis passou a desenvolver uma linguagem própria, explorando elementos da flora amazônica e da cultura local como forma de expressão visual.

Arte como caminho e permanência

A decisão de seguir carreira artística surgiu da percepção de que a criação fazia parte essencial de sua identidade. Mesmo atuando em outras áreas, Tafinis afirma que a arte nunca deixou de ocupar lugar central em sua vida.

“Percebi quando entendi que não queria me afastar da criação artística. A arte caminha lado a lado comigo”, destaca.

Desafios da produção artística em Roraima

A artista aponta que um dos principais desafios enfrentados é a limitação de investimentos e estruturas culturais no estado de Roraima. Ainda assim, ela observa avanços importantes no cenário local, como iniciativas recentes voltadas à valorização das artes.

Entre os marcos citados está o primeiro concurso público da educação (SEED) voltado para a área de Artes no estado, considerado um passo relevante para o fortalecimento da formação artística e da produção cultural regional.

Experiências internacionais e intercâmbio cultural

Em sua trajetória, Tafinis participou de exposições individuais e coletivas no Brasil, incluindo o eixo Rio-São Paulo, além de mostras no exterior, com destaque para França e Portugal. A artista também realizou especialização em aquarela no LUMINIS ORAE – Accademia Vivarium Novum, em Frascati, na Itália, e foi selecionada para residência artística no Chat Noir .ART, em Portugal. Além de participar da exposição artistica em Lisboa, Elas, do Olhar ao Verbo.

Sobre o intercâmbio, ela destaca o período como intenso e transformador. “Estou conhecendo novas técnicas, aprendendo com grandes mestres e entendendo como a arte dialoga entre técnica, conceito e poética”, afirma.

Atualmente, a artista também se prepara para uma residência em Peniche, Portugal, onde pretende aprofundar experiências culturais e artísticas.

Identidade amazônica como inspiração central

A natureza amazônica e a presença feminina são elementos centrais na obra de Tafinis Said. Criada em um ambiente formado majoritariamente por mulheres roraimenses, ela afirma que a força, a resistência e a delicadeza dessas figuras influenciam diretamente sua produção.

Em suas aquarelas, mulheres aparecem frequentemente integradas a elementos naturais como flores, rios e animais, simbolizando pertencimento e transformação.

Arte, pertencimento e futuro

Para Tafinis, sua obra também carrega um compromisso com a valorização da cultura local e da identidade amazônica. A artista defende a importância de fortalecer espaços culturais e ampliar o reconhecimento dos artistas da região Norte.

“Quero mostrar que a arte vive e resiste em Roraima e convidar o público a valorizar nossa memória e nossos espaços culturais”, afirma.

Ao refletir sobre o papel da arte na sociedade, Tafinis cita o filósofo Friedrich Nietzsche: “Temos a arte para não morrer da verdade”. Para ela, a arte é essencial para a construção de sentidos, emoções e possibilidades de futuro, além de ser uma ferramenta de resistência e humanidade.

Para acompanhar a artista @tafinisarte



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